O mercado de fusões e aquisições promete movimentações nos próximos dois anos, mesmo em um período marcado por incertezas do ponto de vista econômico. A constatação foi feita por um estudo da corretora Aon, que por meio de análise dos dados econômicos nos últimos 18 meses identificou os cinco principais setores com as melhores oportunidades para negócios (Infraestrutura, Óleo & Gás, Saúde, Energia, Tecnologia e Serviços Auxiliares).

Segundo o levantamento, o setor de Infraestrutura é o que tem maior potencial, tendo em vista os recentes acontecimentos envolvendo grandes empresas do setor, que irradiam efeitos colaterais.

“Essas empresas, diante da dificuldade de obtenção de crédito para continuar seus projetos, têm enxergado a venda de participações em seus negócios como uma importante alternativa, o que atrai os olhares de grandes investidores, principalmente estrangeiros”, explica o executivo de fusões e aquisições da Aon Brasil e responsável pelo levantamento, Felipe Junqueira. Para ele, o setor de Óleo e Gás também demonstra seguir, em parte, essa lógica. Embora alguns players desse mercado – principalmente fornecedores – considerem uma fusão ou aquisição como uma possível ajuda à continuidade dos negócios, ainda há certa reticência dos investidores em relação ao mercado como todo.

A área de Saúde se mostra como outra grande oportunidade devido à alteração na regulamentação, que permite investimento de capital estrangeiro em algumas empresas do setor, com destaque para hospitais e clínicas, facilitando o acesso e desenvolvimento de um mercado carente de melhorias.

“A publicação da Lei 13.097 abre o caminho para a injeção de capital estrangeiro no setor. Nesse tipo de situação, onde há empresas com potencial para crescimento e algumas barreiras de entrada, a primeira opção do investidor tende ser a aquisição de empresas já estabelecidas, fomentando o mercado de M&A (termo em inglês para fusões e aquisições)”, comenta Junqueira.

Por conta da crise hídrica e das incertezas geradas por reiteradas modificações no plano regulatório, o setor de Energia tem sensibilizado as empresas à capitalização, seja por venda de participações societárias, ou pela alienação de ativos específicos.

“Atualmente, o Brasil enfrenta uma das piores crises da história, o que tem elevado os custos de produção de energia e, por consequência, acarretado em menor rentabilidade para as companhias. Desta forma, as empresas precisam de mais capital para manter suas margens, e um dos caminhos devem ser fusões ou aquisições”, esclarece o executivo.

O estudo revela ainda que os setores de Tecnologia e Serviços Auxiliares, que envolvem desde startups até empresas especializadas em sistemas de gestão, devem continuar com uma participação relevante no mercado de M&A, embora sem grandes movimentações.

“Há ainda um grande potencial de consolidação desse setor composto por inúmeras empresas, em sua maioria de pequeno e médio porte. Importantes players estrangeiros e até mesmo relevantes consolidadores nacionais, embora cautelosos, ainda continuam analisando negócios para aumentar participação de mercado e potencializar sinergias”, analisa Junqueira.

No entanto, ele pondera que os dados e informações disponíveis sobre as transações refletem negociações iniciadas em média entre seis meses e um ano atrás, e que as oportunidades atuais podem demandar igual período para chegar ao fechamento do negócio.
“Boa parte das transações anunciadas recentemente são resultantes de negociações iniciadas no ano passado, quando o cenário econômico era diferente do atual”.

Além disso, o executivo alerta que os setores mapeados pela Aon não estão imunes aos riscos que envolvem as operações de fusões e aquisições. Para ele, em momentos de instabilidade é preciso ter um cuidado ainda maior em relação aos principais pontos do negócio.

“Principalmente em cenários econômicos adversos é fundamental considerar a atuação da análise de riscos e de seguros específicos, tanto para o comprador quanto para o vendedor, sendo uma importante ferramenta para precificação dos ativos, pois permite uma negociação mais clara e com menor risco para ambos. Temos verificado um crescimento no nível de preocupação dos investidores em relação a essas questões, demonstrando uma evolução e maturidade do setor”, complementa o executivo responsável pelo estudo.

Para Junqueira, uma boa medida de precaução é o seguro de Declarações e Garantias (Reps&Warranties), que tem como objetivo diminuir determinados riscos nas operações de M&A, protegendo as empresas à riscos desconhecidos em processos de Due Diligence.
“A modalidade foi desenvolvida e aplicada no exterior, mas começou a ser oferecida recentemente no Brasil, sendo uma importante aliada para garantir os riscos e indenizar potenciais prejuízos relacionados à violação de uma declaração ou garantia”, finaliza.

Fonte: L.S. – R e v i s t a A p ó l i c e