Embora a América Latina tenha ficado para trás entre os mercados em desenvolvimento este ano, alguns assessores financeiros estão convencidos deque a região, rica em recursos naturais, está pronta para uma virada.

Mas, em vez de investir mais uma vez no Brasil — o gigante do grupo — os gestores de carteiras mais rebeldes consideram mercados menores como o México e o Chile como melhores apostas para aproveitar o crescimento de longo prazo da América Latina.

“É um erro olhar para a América Latina como uma grande economia — a região é composta de um conjunto muito diversificado de países”, diz Mark Eshman, diretor de investimentos da ClearRock Capital em Ketchum, firma de Idaho que administra US $ 400 milhões em ativos.

Alguns investidores veem muitos ativos atraentes na América Latina. O popular índice iShares Latin America 40, por exemplo, de fundos negociados em bolsa (ETFs), registrou, em média, um retorno médio de 16,5% ao ano nos últimos dez anos até quarta-feira. Nesse mesmo período, o índice mais amplo iShares MSCI Emerging Markets ETF teve retornos de 11,8% ao ano.

Mas, ultimamente, uma queda nos preços das commodities vem atenuando o panorama das exportações da região, particularmente no Brasil. Grande parte dessa desaceleração pode ser atribuída à mudança de política da China para construir uma economia mais centrada no consumo interno. Isso resultou em uma redução drástica no comércio de matérias-primas e outros bens industriais importantes com a América Latina.

Até agora, este ano, o índice iShares MSCI dedicado a ETFs do Brasil caiu mais de 13%. Como ele representa quase 60% do índice MSCI Emerging Markets Index Latin America, essa queda teve um impacto drástico sobre os fundos que investem na região. Em contraste, o mundo em desenvolvimento como um todo, representado pelo iShares MSCI Emerging Markets ETF, perdeu 4,6% até agora em 2013.

“Muitas pessoas pensam no Brasil como uma economia movida pelas exportações, mas isso é uma generalização”, diz Peter Lannigan, diretor de estratégia de mercados emergentes da corretora CRT Capital Group, em Stamford, Connecticut. Ele prevê que as exportações representem cerca de 11% da atividade econômica total do Brasil.

Lannigan culpa as políticas econômicas não ortodoxas do país para o momento de queda no investimento. O governo ainda detém grande participação acionária em grandes empresas, como a Vale SA e a Petrobras SA, observa Lannigan.

Além disso, os controles de preços em mercados como o de energia elétrica e distribuição de gasolina que visam domar a inflação “não estão gerando muita confiança entre os investidores”, diz ele.

No curto prazo, Lannigan concorda que as perspectivas de crescimento do Brasil não parecem particularmente boas. Mas ele vê o país como um “gigante adormecido” que poderia facilmente voltar ao crescimento de dois dígitos ao longo dos próximos anos.

“Depois de um soluço, sua crescente classe média deve continuar a se expandir e os políticos do país devem conseguir chegar a um acordo para a administração de uma economia mais diversificada”, diz ele.

Num momento em que os ativos de países emergentes, em geral, estão sendo negociados a preços mais baixos, ter investimentos em um mercado-chave da América Latina em uma carteira diversificada pode fazer sentido para os investidores com horizontes de tempo mais longos, diz Curt Klein, assessor de investimentos da Capital Investment Advisors, em Atlanta, que administra US$ 1,3 bilhão em ativos.

A empresa tem atualmente uma participação no iShares Brasil ETF. Recentemente, Klein diz que começou a voltar ao mercado.

“À medida que os mercados emergentes começam a se levantar depois de três anos de quedas, este parece ser um momento atraente para reconstruir posições de forma seletiva”, acrescenta.

Embora a economia do Chile esteja altamente atrelada ao preço do cobre, é uma das economias mais bem administradas da América Latina, de acordo com Ken Liu, estrategista global de ações da RiverFront Investment Group, firma americana com US$ 4 bilhões em ativos.

Como resultado, ele considera o mercado como “uma das melhores jogadas de crescimento” na região nos próximos dez anos, com sua “forte demografia que favorece uma força de trabalho jovem. Um fundo no radar da empresa é o ETF iShares MSCI Chile.

O mercado mais interessante da América Latina nos próximos anos pode ser o México, acrescenta Liu. “Ele sempre serviu como uma base industrial forte para os EUA, mas conforme os salários sobem na Ásia, temos visto mais empresas transferirem suas fábricas para o México”, diz ele.

Outra grande vantagem: as reformas favoráveis ao mercado prometem tornar a economia do país mais competitiva globalmente e atraente para investidores institucionais estrangeiros ao longo do tempo, segundo Liu.

A melhora da imagem do México não é mais um segredo, ele adverte. Como resultado, Liu sugere que os investidores aguardem com paciência o desenrolar das reformas no país.

Jeff Davis, diretor de investimentos da Lee Munder Capital Group, em Boston, que administra US$ 5,7 bilhões em ativos, também está adotando a postura de esperar para ver com relação ao México.

Davis também afirma que vale a pena levar em consideração o ETF iShares MSCI México como um investimento isolado agora que estamos prestes a entrar em um novo ano, após a turbulência de 2013.

Mas, de acordo com Davis, as ações das empresas menores da América Latina também devem estar no radar dos investidores. Um índice que ele está seguindo agora é o ETF Market Vectors Latin America Small Cap.

Segundo o gestor, com um cronograma ainda incerto para o Federal Reserve, o banco central americano, começar a reduzir seu massivo programa de compra de títulos de dívida, isso ainda deixa um risco de turbulências no horizonte da América Latina.

Fonte: The Wall Street Journal