Avaliação de pequenas empresas (Valuation): O Valor Mais Provável de Venda 

Quando falamos de Valuation, o que vem à cabeça de boa parte dos empresários é um relatório exclusivo para grandes empresas, porém veremos que isto é um tremendo equívoco. A avaliação de pequenas empresas é feita de forma mais simplificada e, portanto, mais adequada para empresas desse porte. Também chamada de Valor Mais Provável de Venda, ou VMPV, essa avaliação responde uma das dúvidas mais frequentes dos empresários de empresas de diferentes tamanhos: Afinal, quanto vale a minha empresa?

A avaliação de pequenas empresas é muito comum em negociações de compra e venda de empresas, para determinar o valor correto e quanto o mercado estaria disposto a pagar por uma empresa com as características da que você quer comprar ou vender. Além disso, ela pode ser usada para fins de gestão, saber se os números da sua empresa estão de acordo com as empresas semelhantes em um determinado mercado e fazer um estudo financeiro, econômico e contábil do negócio.

Como avaliar uma empresa para compra e venda?

Durante a avaliação de pequenas empresas para compra e venda,  os fatores que mais influenciam no valor final do laudo são o tipo de empresa que está sendo avaliada (comércio, serviço ou indústria), o tempo de atuação da empresa no mercado, a localização, as instalações, a situação da economia do país e o motivo pelo qual o empresário quer determinar o valor da sua empresa.

Existem diversas metodologias aplicáveis na avaliação de pequenas empresas. Neste artigo, abordaremos as 8 principais, que derivam das análises contábil, financeira, macroeconômica e microeconômica. Estas metodologias são ponderadas através de uma distribuição de pesos que refletem as características de cada negócio e mercado. Para que o resultado da avaliação seja de fato imparcial, é importante avaliar por todos os métodos.

Caso você esteja procurando uma empresa para te auxiliar nesse processo, solicite um orçamento da Investor, e receba no seu e-mail em até 24 horas (válido para dias úteis). O processo é muito simples e pode ser feito totalmente online!

Quais são as 8 metodologias para a avaliação de pequenas empresas?

Os 4 primeiros métodos de avaliação de pequenas empresas desse post trazem uma análise por abordagem financeira, enquanto os demais são feitos por uma abordagem de mercado.

Para ficar mais claro, explicaremos como funcionaria cada método como se estivéssemos avaliando uma pequena fábrica de alimentos, localizada na cidade de São Paulo, com faturamento anual de R$ 5 milhões. O dono dessa fábrica é o Sr. Valério, que quer se aposentar e não tem filhos, e por isso deseja saber quanto vale a sua empresa para vendê-la.

 

1 – Valor de Mercado dos Ativos + Resultado

Neste método de avaliação de pequenas empresas, presume-se que o valor do negócio é o valor de mercado dos ativos (considerando todas as benfeitorias, as instalações e o inventário atualizado) somado ao Resultado Final Líquido apurado no último ano fiscal.

Esse método é bastante conservador e deve ser usado para empresas em que o dono é parte fundamental da operação.

Exemplo: Ao conversar com o dono da fábrica, Sr. Valério, observamos que ele é parte fundamental da operação, tanto para a organização da produção quanto para a gestão da fábrica. Então, para realizar essa avaliação foi solicitado o Balanço Patrimonial da empresa, juntamente com o inventário de equipamentos a valor atual de mercado que a empresa possui.

Com o balanço em mãos, conciliamos o valor total dos ativos escriturados com o inventário, que na fábrica de alimentos deu um resultado de R$ 1 milhão, e somamos este valor ao resultado final líquido de R$ 400 mil, apresentado pela empresa no seu último exercício fiscal. Sendo assim, por essa metodologia o valor da empresa seria R$ 1,4 milhões.

2 – Resultado Descontado (RD)

Essa metodologia traz os resultados econômicos futuros a valor presente, mediante uma taxa de desconto que reflete a rentabilidade mínima que um investidor exigiria para um determinado segmento de mercado, taxa essa conhecida no mercado financeiro pela sigla em inglês WACC (Weighted Average Cost of Capital).

Exemplo: Suponha que a fábrica de alimentos tenha projetado para os próximos 5 anos de operação, os seguintes resultados para o EBITDA/Lucro Operacional:

1º ano – R$ 517.000,00

2º ano – R$ 703.000,00

3º ano – R$ 774.000,00

4º ano – R$ 846.000,00

5º ano – R$ 921.000,00

Como o dinheiro tem valor no tempo, o setor apresenta diversos riscos que são próprios da atividade da indústria alimentícia e existem riscos que são comuns à todas as empresas, como as medidas econômicas brasileiras, assumimos que o WACC justo para a operação é de 12% a.a. A partir disso, descontamos as projeções de resultado pelo WACC, obtendo o retorno a valor presente de cada ano. A somatória dos valores anuais, a valor presente, é o valor da empresa para venda através do método por RD. (Para negócios de pequeno porte, não consideramos a perpetuidade nos cálculos do valor da empresa)

1º ano – R$ 517.000/(1,12)^1) – R$ 461.607,14
2º ano – R$ 703.000/(1,12)^2) – R$ 560.427,30
3º ano – R$ 774.000/(1,12)^3) – R$ 550.917,91
4º ano – R$ 846.000/(1,12)^4) – R$ 537.648,29
5º ano – R$ 921.000/(1,12)^5) – R$ 522.600,13

Total: R$ 2.633.200,77

O valor (Valuation) da fábrica de alimentos do Sr. Valério, com base na metodologia RD, é de R$ 2.633.200,77.

3 – Fluxo Econômico Histórico

O método do Fluxo Econômico Histórico pressupõe que os investidores tendem a traçar estratégias para manter um retorno sobre o capital investido, ROIC (Return On Invested Capital) e, por este motivo, os resultados finais futuros devem variar em valores próximos à média histórica ponderada por um peso decrescente do último exercício para os anos mais longínquos ao ano em análise.

Exemplo: Para valorar a empresa por esse método de avaliação, é feito uma média histórica dos resultados finais da empresa, livre dos efeitos de endividamento e impostos sobre a renda da empresa. Depois é realizada uma média ponderada, dando um maior peso aos resultados obtidos nos últimos anos. O valor resultante, R$ 400.356,00, foi dividido pelo índice de 18,2257%, que representa o retorno sobre o capital investido a ser requerido pelo futuro investidor, chegando ao valor de R$ 2,2 milhões. Veja os dados da fábrica do Sr. Valério nos últimos anos:

dados_para_avaliacao_de_pequenas_empresas

4 – Múltiplo de EBITDA

O EBITDA pode e deve ser utilizado para comparar as empresas quanto à eficiência dentro de um determinado segmento de mercado. A partir desse índice é possível fazer um benchmark, ou seja, comparar empresas do mesmo setor e porte similares, dentro de um mesmo mercado, e analisar como está o desempenho dela perante aos outros players.

Mas atenção: a utilização do EBITDA para cálculo do valor da empresa (Valor Mais Provável de Venda) é muito relevante, mas deve ser analisado juntamente a outros indicadores de desempenho para fornecer uma visão mais apropriada e realista da performance da empresa, visto que esse múltiplo não considera os efeitos de financiamento e de impostos no resultado da empresa.

A partir dessa metodologia, o valor da empresa – EV (Equity Value) – será o valor do EBITDA vezes o EBITDA Multiple (EM) utilizado no setor em transações semelhantes:

EV = EBITDA x EM

Como calcular o EBITDA? (Se você já souber como fazer, pule para a 5ª metodologia)

Agora, vamos calcular o EBITDA a partir do Demonstrativo de Resultado de Exercício (DRE):

 RECEITA BRUTA

Vendas de Produtos, Mercadorias e/ou Serviços

(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA

Devoluções de Vendas, Abatimentos, Impostos e Contribuições sobre Vendas

= RECEITA LÍQUIDA

(-) CUSTOS TOTAL DAS VENDAS

Custo dos Produtos Vendidos, Mercadorias ou dos Serviços Prestados

= LUCRO BRUTO

(-) DESPESAS OPERACIONAIS

Despesas com Vendas, Administrativas, Pessoal, etc.

= LUCRO OPERACIONAL (EBITDA)

(-) DESPESAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS

Despesas Financeiras

(-) Receitas Financeiras

Variações Monetárias e Cambiais Passivas

(-) Variações Monetárias e Cambiais Ativas

OUTRAS RECEITAS E DESPESAS

Resultado da Equivalência Patrimonial

Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

(-) Custo da Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

= RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO IR E CSLL

(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro

= LUCRO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES

(-) Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias, Fundos de Assistência e Previdência para Empregados

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

A sigla EBITDA significa Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, que em português significa Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Logo a fórmula do EBITDA é:

EBITDA = Lucro Operacional – Juros – Impostos (IR+CSSL) – Depreciação – Amortização

A muito falada margem EBITDA representa a margem de resultados operacionais da empresa e pode ser obtida pela divisão do EBITDA pela Receita Líquida de Vendas e é expressa em termos percentuais, logo:

MARGEM EBITDA (em %) = (EBITDA/ Receita Líquida de Vendas)*100

Exemplo: A empresa do Sr. Valério, no último ano fiscal analisado, tem um EBITDA R$ 455.587,54. Com base na metodologia do múltiplo de EBITDA e no quadro de Setor x EBITDA, o setor de Indústria, com faturamento abaixo de R$ 5 milhões, tem um múltiplo de 4 vezes o valor. Sendo assim, por esse método, a empresa valeria cerca de R$ 1,8 milhões.

5 – Regra da Avaliação Comparativa – Múltiplo Setorial

 Essa metodologia de avaliação de pequenas empresas compara os valores pagos em aquisições de empresas semelhantes. Pode se comparar diversos aspectos, como por exemplo:

– Valor pago na operação semelhante/ faturamento da empresa adquirida;

– Valor pago na operação semelhante/ resultado líquido da empresa adquirida;

– Valor pago na operação semelhante/ EBITDA da empresa adquirida;

– Valor pago na operação semelhante/ capacidade produtiva do ano imediatamente anterior à operação de aquisição;

Este resultado gera um multiplicador que quando aplicado sobre a mesma base (faturamento, resultado líquido, EBITDA ou capacidade produtiva) da empresa em avaliação, gera o valor mais provável de venda.

Esse método depende de dados confiáveis e similares para a sua execução e pode ser extraído de forma complementar através de pesquisa realizada com investidores do setor.

Exemplo: Ao verificar os relatórios gerenciais da empresa do Sr. Valério, apuramos que a empresa produziu 15 toneladas de alimentos no último ano fiscal. Após ser feita a análise de mercado do segmento alimentício em São Paulo, identificamos que os concorrentes do Sr. Valério, foram adquiridos recentemente ao múltiplo de R$ 187.000,00 por tonelada produzida por ano. Sendo assim, multiplicando essa precificação pelo quanto a fábrica do Sr. Valério produziu no ano anterior, chegamos ao valor da empresa de R$ 2,8 milhões.

6 – Regra da Expectativa do Tempo de Retorno – Múltiplo Setorial

Essa metodologia de avaliação de pequenas empresas é baseada no Payback (tempo de retorno) médio obtido pelas empresas do mesmo segmento ou exigido pelos investidores, capturando assim, a viabilidade do investimento na ótica do tempo de maturação do negócio no mercado e o tempo de exposição ao risco do capital investido pelo comprador (Clique aqui para ler mais sobre Viabilidade de um negócio). Esses múltiplos são obtidos por meio de bancos de dados de negociações comparáveis e específicas. O múltiplo setorial pode ser ajustado pelo avaliador para compensar desempenhos fora da curva em comparação com os dados de referência disponíveis em cada setor.

Exemplo: Para a empresa do Sr. Valério, verificamos que o segmento da indústria de alimentos, apresenta um Payback na faixa de 3 a 4 anos, determinado por uma análise de mercado da região em que a empresa está inserida e pelo conhecimento prévio do avaliador.

Logo, para calcular o valor da fábrica em questão por esse método, é necessário multiplicar o valor do Resultado Líquido anual da empresa (vamos considerar para esse exemplo que seja de R$ 400.000,00) pelo Payback, chegando ao valor aproximado de R$ 1,5 milhão.

7 – Regra dos Movimentos de Mercado

Este método de avaliação de pequenas empresas busca internalizar os efeitos da oferta e demanda de empresas de um determinado setor e o grau de urgência na realização da operação, tanto pelo lado comprador quanto pelo vendedor. Ou seja, é importante que o avaliador entenda como funciona a lei da oferta e demanda para empresas do setor analisado e na região em que a mesma está localizada. Se houver muitas empresas semelhantes à venda, isso irá acarretar em uma diminuição no preço de venda, e vice-versa. O mesmo movimento, também, pode ser observado pelo grau de urgência do comprador ou vendedor, pois, quando o vendedor necessita realizar a operação, ele tende a aceitar preços mais baixos e o movimento inverso ocorre, quando o comprador tem interesse em realizar a operação com uma maior celeridade.

Exemplo: Pela regra de Avaliação Comparativa – Múltiplo Setorial, verificamos que o valor da fábrica do Sr. Valério, seria de R$ 2,8 milhões, porém, ao realizar a pesquisa de mercado para a obtenção dos múltiplos de venda, verificamos que nos últimos meses, as empresas comparáveis foram vendidas com um deságio de 10% e que este movimento se justifica devido ao elevado número de empresas à venda neste setor. Sendo assim, aplicamos o mesmo deságio ao valor calculado pela regra da Avaliação Comparativa – Múltiplo Setorial e chegamos ao valor de R$ 2,5 milhões.

8 – Método da Base Zero

Esta metodologia de avaliação de pequenas empresas analisa o quanto custaria para que um empreendedor construísse do zero uma empresa semelhante à que está sendo avaliada. O valor encontrado será o valor da empresa.

Exemplo: Analisando a fábrica de alimentos, e considerando o valor de mercado de seus ativos fixos como maquinários, imóvel e outros, calculamos que para construir uma nova unidade fabril semelhante à empresa do Sr. Valério, o investidor teria que desembolsar R$ 1 milhão.

Resultado final

Como cada metodologia busca internalizar uma variável diferente a ser observada pelo mercado, o Valor Mais Provável de Venda é obtido através de uma análise ponderada, das metodologias apresentadas acima. Abaixo mostraremos a avaliação para venda da empresa do Sr. Valério.

resultado_avaliacao_de_pequenas_empresas

valor_final_obtido_na_avaliacao_de_pequenas_empresaATENÇÃO

Todos os exemplos foram ilustrativos e didáticos, sendo assim, os múltiplos e índices usados nos exemplos não correspondem ao valor real de mercado para a avaliação de pequenas empresas.

Agora que você já sabe por quais métodos fazemos a avaliação de pequenas empresas e determinamos o Valor Mais Provável de Venda da sua empresa, deve ficar atento também a alguns pontos como: imparcialidade do avaliador, interpretação de dados discrepantes e know-how do avaliador para determinar quais empresas podem ser realmente consideradas comparáveis, uma vez que não existem duas empresas ou ativos idênticos.

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Ficou alguma dúvida? Compartilhe conosco, será um prazer para nós esclarecer e discutir sobre os métodos de valuation. A Investor conta com um corpo executivo e técnico multidisciplinar e altamente preparado para contribuir com a sua empresa.

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