Belo Horizonte recebe, até sexta-feira, o 1º Startup Week do Brasil, evento mundial de empreendedorismo. Com mais de 70 atividades, entre palestras workshops, rodadas de negócios e happy hour, o evento é gratuito e reúne empreendedores de todo o Estado, que buscam aprimorar seu conhecimento no mercado, estabelecer relacionamentos e fazer negócios.

Nascido nos Estados Unidos, o evento foi trazido à Capital pela iniciativa da aceleradora Techstars; do ecossistema de startups de Belo Horizonte, San Pedro Valley; e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas).

“Desde o ano passado, estamos procurando ecossistemas no Brasil que pudessem receber o evento. Escolhemos Belo Horizonte porque entendemos que a cidade tem um ecossistema maduro em relação à cultura empreendedora. Não é a cidade que tem mais capital e nem mais startups no País, mas em termos de engajamento de empreendedores, com certeza a cidade dá um belo exemplo para o Brasil e para o mundo”, afirma o diretor regional da Techstars no Brasil, Tony Celestino.

Durante a abertura do 1º Startup Week do Brasil, o gerente de Inovação e Sustentabilidade do Sebrae Minas, Anízio Dutra Vianna, destacou a importância do evento para desenvolver o ecossistema de startups no Estado. “Também precisamos levar esse ecossistema para o interior de Minas. O Startup Week é muito importante nesse contexto e tenho certeza que teremos uma bela semana pela frente”, disse.

O assessor da presidência da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fábio Veras de Souza, afirmou que o Startup Week é um evento para a celebração do ecossistema de startups em Minas Gerais, que já tem sua força reconhecida dentro e fora do País. “Minas Gerais tem uma singularidade em relação aos outros estados, que é a unidade dos atores que estão atuando nesse ecossistema. Esse evento aconteceu porque os empreendedores locais se envolveram muito voluntariamente para isso”, frisou.

Durante toda a semana, serão realizados workshops e palestras que abordarão temas como design, economia criativa, tecnologia e negócios. O evento ainda inclui o DemoDay Minas, quando investidores conhecerão o trabalho de 53 startups selecionadas para a rodada de negócios, além de apresentações do governo de Minas Gerais a respeito do programa Minas Digital e do Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (Seed). As atividades estão sendo realizadas no Cine Theatro Brasil Vallourec e na Serraria Souza Pinto, no centro da Capital; no Ibmec e no espaço de coworking The Plant Coworking, na região Centro-Sul.

Relevância – Fundador da startup Ioasys, Walter Galvão Neto reforça a importância de a cidade receber eventos de peso como o Startup Week. Ele destaca que iniciativas como essa não só fortalecem o ecossistema mineiro, como os próprios negócios desenvolvidos no Estado, que ficam em evidência. “Também é uma oportunidade para a rede de relacionamentos, fechar negócios, trocar informações e experiências”, diz.

Fundada em Belo Horizonte há três anos, a Ioasys desenvolve aplicativos e promove ações de marketing. Desde que foi criada, a startup já realizou mais de 50 projetos e abriu duas filiais, sendo uma em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. Além disso, a empresa se prepara para, em novembro, abrir sua primeira operação na Europa: a startup está investindo cerca de 150 mil euros, cerca de R$ 650 mil, no escritório, que ficará em Madrid, na Espanha.

“A qualidade do software no Brasil não perde em nada para players do mundo todo. Agora, com o peso cambial, conseguir vender no mercado externo é um ótimo negócio. Na Europa, se busca muito desenvolvimento e se terceiriza da China e de Israel, então a gente vai chegar muito competitivo”, comemora.

Iniciantes – O 1º Startup Week do Brasil também atraiu empreendedores que estão dando seus primeiros passos no mercado.  o caso dos sócios Amanda Cristina de Castro e Marcelo Henriques Gomes Couto, que vão lançar, em novembro, a Kazullo, empresa que prestará atendimento especializado às iniciantes, nos moldes de uma consultoria. A empresa terá sede em Arcos, no Centro-Oeste de Minas Gerais, e um escritório de atendimento a 60 quilômetros, em Bambuí.

Os empreendedores estão no 8º período do curso de administração no Instituto Federal de Bambuí e têm ampla experiência no mercado profissional, tendo atuado em áreas, como recursos humanos, educação financeira e descoberta de talentos. Eles participam do Startup Week com o objetivo de aprimorar ainda mais o conhecimento e levar toda essa bagagem para os empreendedores dos municípios do Centro-Oeste.

“A ideia é ser uma incubadora de ideias: em vez de prestar consultoria, a gente vai oferecer aprendizagens educacionais e profissionais. A consultoria oferece o projeto pronto e o empresário precisa implantar. Nós vamos ensinar a fazer, junto, para que o empreendedor não tenha uma dependência de suporte”, explica Amanda de Castro. De acordo com ela, esse apoio será oferecido por meio de cursos, palestras e consultoria direta.

Também recém-chegado ao mercado de startups, o empresário Eduadro Assumpção afirma que o Startup Week é mais uma oportunidade de crescimento. Com 47 anos de idade e uma bagagem de empreendedorismo que vem desde os 22, o empresário não se envergonha em dizer que está no evento para aprender. “Desde 2013, comecei a me envolver com esse ecossistema de startups, que é uma nova forma de pensar empresa e entrar no mercado. Eu sou quase um vovô perto da maioria que está aqui, mas sei que tem muita gente nova com quem tenho muito o que aprender”, diz.

Ele acabou de lançar a Pet Book Life, startup que oferece um sistema de gerenciamento da vida de animais de estimação. De acordo com Assumpção, a ferramenta serve para que o dono controle todos os registros de consulta e exames do seu pet, a fim de aumentar o tempo e a qualidade de vida do animal. Além disso, o sistema vai oferecer serviços e produtos mais baratos na região do usuário.

O empresário explica que o sistema é gratuito para os usuários e o lucro da startup se dá por meio da venda de informações dos usuários para a indústria pet. “Se o fornecedor quer vender um determinado tipo de ração, ele pode oferecer para 300 mil donos de pet aleatórios e alcançar 1.500 ou, usar os dados do meu sistema e falar direto com os 1.500 interessados, economizando na estratégia”, explica.

De acordo com ele, a startup já recebeu investimento anjo de R$ 200 mil e a expectativa é de que o retorno aconteça no primeiro ano de operação. O empresário pretende fechar o ano com 15 mil usuários.

Fonte: Diário do Comércio