A gigante espanhola Gas Natural Fenosa e a Companhia Energética de Minas Gerais S.A (Cemig), geradora de energia de Minas, confirmaram ontem sua associação para distribuição de gás no Brasil. A notícia foi antecipada na sexta-feira pelo Valor PRO, serviço de notícias em tempo real do Valor.

As duas empresas farão uma joint venture na qual serão reunidas quatro distribuidoras de gás. No fato relevante em que comunicou o negócio, a Cemig informou que será criada a empresa Gás Natural do Brasil S.A. (GNB), “uma plataforma de consolidação de ativos e investimentos em projetos de gás natural”. Não foi informado o valor previsto para o plano de investimentos da nova sociedade.

Pelo volume comercializado, a empresa fruto da associação entre mineiros e espanhóis será maior que a paulista Comgás, maior distribuidora de gás do Brasil e que tem a maior base de clientes industriais do país.

A Cemig vai aportar os 60% que detém na distribuidora Gasmig, enquanto a Gas Natural vai aportar na joint ventures as distribuidoras CEG e CEG Rio, ambas no Rio de Janeiro, e a Gas Natural Fenosa São Paulo Sul (SP). Ainda não está claro o papel da Petrobras no negócio.

A estatal é dona de 40% da Gasmig e pode vender essa participação para os sócios. O Valor apurou que a empresa dirigida por Maria das Graças Foster tende a sair da distribuição em Minas, mas precisa de aprovação do conselho de administração.

Juntas, as quatro empresas que serão reunidas na GNB controlam um mercado que consumiu uma média de 30,2 milhões de metros cúbicos de gás em 2014, duas vezes maior que o mercado da Comgás, que comercializou uma média de 14,8 milhões de metros cúbicos de gás até abril deste ano.

O negócio entre as duas empresas foi bem recebido por Augusto Salomon, presidente da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), que achou importante a aposta de uma empresa privada como a Gas Natural Fenosa no mercado brasileiro.

A utilização de gás para geração de energia elétrica foi responsável pelo consumo de 27,23 milhões de metros cúbicos de gás na região Sudeste em abril, segundo o último dado da Abegás. Desse total, o maior consumo para geração elétrica se deu no Rio, com a comercialização de 21,8 milhões de metros cúbicos.

A Gasmig terá de construir um gasoduto de 470 quilômetros ligando a região metropolitana de Belo Horizonte a Uberaba, para suprir uma unidade de fertilizantes da Petrobras, que recebeu o nome de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados José Alencar (Fafen-JA). Esse deverá ser o primeiro grande investimento da joint-venture.

Pelo acordo, a Petrobras garantirá o suprimento de gás natural para a Gasmig, que se comprometeu a construir o gasoduto até o fim de 2016. Quando lançou a pedra fundamental da unidade, a Petrobras informou que vai investir R$ 1,95 bilhão no projeto, onde serão produzidas 519 mil toneladas de amônia, matéria-prima para produção de uréia, sulfato de amônio, nitrato de amônio, fosfato monoamônico, fosfato diamônico e também petroquímicos.

Fonte: Valor Econômico