Esta é uma semana decisiva para a indústria de cerveja dos Estados Unidos, que mal podia esperar pela chegada do verão no Hemisfério Norte.

Quase 33% das vendas anuais de cerveja no país ocorrem entre os feriados do Memorial Day, que homenageia os soldados americanos mortos em combate e é celebrado na última segunda-feira de maio, e do Dia do Trabalho, na primeira segunda-feira de setembro. O desempenho deste período costuma dar o tom para as vendas do restante do ano. A semana mais crítica é a do 4 de Julho, o dia da indepedência, quando as vendas são geralmente 30% a 40% maiores que numa semana normal, segundo estimativa do setor.

Temperaturas altas são melhores para o consumo de cerveja. Mas o consumidor americano vem há mais de dez anos trocando gradualmente a cerveja por destilados. De fato, os destilados são em parte responsáveis pelo consumo de cerveja nos EUA ter recuado em quatro dos últimos cinco anos.

As vendas de cerveja nos EUA são tipicamente 13% maiores que a média anual durante os meses de verão. Em comparação, as vendas de destilados registram uma alta de apenas 6%, na média, segundo a Nielsen.

No acumulado do ano até maio, as vendas de cerveja nos EUA recuaram 0,1% ante o mesmo período de 2013, de acordo com o Instituto da Cerveja, um órgão do setor. As vendas caíram de forma substancial nos últimos anos. O resultado deste ano seria ainda pior se a Anheuser-Busch InBev, responsável por metade das cervejas vendidas nos EUA, não tivesse acelerado as entregas para os distribuidores no início do ano.

A belgo-brasileira AB InBev e a segunda maior fabricante de cervejas dos EUA, a MillerCoors LLC, também enfrentam a concorrência das pequenas cervejarias artesanais. As vendas de cervejas artesanais subiram quase 20% no ano passado e essas empresas estão aumentando sua capacidade. No início do mês do passado, a cervejaria artesanal Lagunitas inaugurou uma fábrica de 28.000 metros quadrados em Chicago, quase duas vezes maior que outra que já tinha na Califórnia.

A AB InBev acrescentou uma bandeira americana à embalagem da Budweiser neste verão e lançou, em maio, latas com as cores vermelho, branco e azul, além de distribuir com grande alarde bolsas de estudo para as famílias de soldados americanos mortos e feridos.

Ela também lançou recentemente a Bud Light Mang-O-Rita e a Raz-Ber-Rita, que têm mais sabor de margaritas do que de cerveja, numa tentativa de reconquistar o mercado que perdeu para os destilados.

A AB Inbev, patrocinadora oficial da cerveja na Copa do Mundo, está investindo pesado em comerciais de TV inspirados no futebol durante as partidas transmitidas pela ESPN na expectativa de aproveitar a onda de entusiasmo pela equipe americana.

O canal está promovendo festas em todo o país durante a transmissão dos jogos, tendo reservado um hotel inteiro em Las Vegas nos dias 12 e 13 de julho, para as finais.

A MillerCoors lançou em maio a primeira cerveja sazonal derivada da Coors Light, a Coors Light Summer Brew, com sabor cítrico, para tentar reverter a recente queda da segunda cerveja mais vendida dos EUA. No início do ano, ela lançou a Miller Fortune, que tem um volume maior de álcool (6,9%) em sua composição e que está sendo promovida para ser servida num copo com gelo, como uísque. A MillerCoors estima que 7% das suas vendas neste ano virão de novos produtos, ante 5% em 2013 e 1% em 2012.

A MillerCoors, uma sociedade entre a britânica SABMiller e a americana Molson Coors Brewing, também está contando com a melhora na renda dos americanos na faixa dos 20 anos, que tendem a ser grandes consumidores de cerveja. A taxa de desemprego nessa faixa etária está caindo, após uma alta acentuada durante a recessão.

“Estamos confiantes que a economia americana está melhorando. E, com a melhora, acreditamos que os consumidores voltarão para a cerveja”, disse o diretor-presidente da Molson Coors, Peter Swinburn, numa entrevista ao The Wall Street Journal.

A holandesa Heineken espera que duas cervejas suas recém-lançadas, a Amstel Radler, com sabor de limão, e a Dos-A-Rita, adoçada com agave, sejam alternativas populares à limonada e às margaritas nos piqueniques do 4 de Julho. A Heineken também está lançando uma lata menor da sua cerveja padrão, numa tentativa de reviver a marca de cerveja que já foi a mais importada nos EUA, mas que viu sua venda em volume despencar 11,7% nos últimos dez anos, sendo 3,5% só no ano passado, de acordo com a Beer Marketer’s Insights.

A Constellation Brands, de Victor, Nova York, está investindo pesadamente neste verão para tentar capitalizar a crescente sede dos americanos por cervejas mexicanas. A empresa, que possui os direitos nos EUA da cerveja mais importada, a Corona, afirma que as vendas subiram 12,5% neste ano até 15 de junho, citando dados da IRI. A empresa afirma ainda que elevou os investimentos em propaganda da Corona na TV durante o verão em cerca de 30% pelo segundo ano consecutivo. Ela também está veiculando um anúncio para sua cerveja Modelo Especial com o capitão do time americano, Clint Dempsey.

Fonte: The Wall Street Journal