A recuperação da economia dos Estados Unidos e de países da Europa, depois da crise de 2008, e o enfraquecimento da economia brasileira levaram as empresas brasileiras a buscar mercado no exterior. Levantamento feito pela Fundação Dom Cabral mostra que a internacionalização de uma amostra de 62 multinacionais brasileiras cresceu 7% em 2014, passando de 22,9% em 2013 para 24,5%. Em 2013, o mesmo índice havia crescido apenas 1,6%. O cálculo é uma média das receitas, ativos e funcionários que essas empresas mantêm no exterior em relação aos mesmos indicadores em suas plantas no Brasil.

— A internacionalização das empresas brasileiras já vinha crescendo, mas a crise na economia intensificou esse movimento. Os Estados Unidos, por exemplo, que já eram um mercado interessante mesmo na crise, e a China, devem continuar atraindo mais empresas brasileiras. No ano passado, o mercado doméstico apresentou desafios que, em muitos casos, restringiram o crescimento da empresa — disse Sherban Cretoiu, professor e pesquisador do Núcleo de Estratégia e Negócios Internacionais da Fundação Dom Cabral, lembrando que a busca de novas tecnologias, diferentes processos de gestão e ganho de competitividade também estão entre as razões que levam multinacionais brasileiras ao exterior.

No levantamento, os pesquisadores perguntaram às empresas como as dificuldades político-econômicas do Brasil afetaram sua estratégia de internacionalização. Do total, 28,1% tiveram sua estratégia afetada e 1,8% muito afetada. De acordo com a pesquisa, 13,6% ampliaram seus investimentos no exterior e reduziram no mercado doméstico, e 29,5% aumentaram os investimentos lá fora e o mantiveram no mesmo nível no Brasil. Algumas empresas que optaram por essa estratégia explicam que tomaram essa decisão devido aos bons resultados obtidos nas operações internacionais. Já 20,5% reduziram seus investimentos tanto no exterior quanto no mercado doméstico.

– As multis brasileiras mantêm a tendência de obter maior margem de lucro no mercado doméstico. Mas, em 2014, a diferença entre a margem de lucro doméstica e a do mercado internacional diminuiu em relação a anos anteriores, ficando em 15,4% e 10,5%, respectivamente, frente aos 16,3% e 8,7% verificados em 2013 – diz o pesquisador da Fundação Dom Cabral, observando que para este ano, as companhias esperam um desempenho acima da média para suas atividades internacionais, considerando vendas, ganho de mercado e desempenho em relação à concorrência.

O pesquisador diz que muitas empresas brasileiras, inclusive pequenas, que já exportavam e agora estão sendo beneficiadas com a valorização do dólar começam a fazer planos de estabelecer uma base lá fora, já que este ano e 2016 serão marcados pela retração na economia. A pesquisa mostrou que mais de 20 multinacionais brasileiras fincaram sua bandeira em 33 novos países no ano passado. Com isso, chegou a cem o número de nações onde já operam multinacionais brasileiras. Apenas quatro empresas (três na Europa e uma na África) saíram ou interromperam suas operações no exterior.

Fonte: O Globo