A escassez e o alto preço dos terrenos não interromperam o crescimento dos shopping centers, mas empurram os empreendimentos para o interior. Dos 40 centros de compras que abrem as portas este ano, 30 são fora das capitais, atraídos também pelo aumento do poder de compra. As novas fronteiras são cidades com entre 200 mil e 500 mil habitantes que avançam, principalmente, pelas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Nas capitais, os raros terrenos grandes e bem localizados chegam a custar até R$ 50 mil o metro quadrado. Mas se faltam terrenos, não falta mercado: enquanto o Brasil tem cerca de 504 shoppings, nos Estados Unidos eles são 50 mil.

“Aqui ainda há muito espaço para a construção de shoppings”, diz Basilio Jafet, presidente da Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (Fiabci/Brasil) e vice-presidente do Secovi – referindo-se ao mesmo tempo ao mercado e ao espaço físico. “Um dos caminhos para contornar a falta de grandes terrenos é a opção por pequenos e médios centros locais para atender a vizinhança e o bairro. Por conta da mobilidade urbana — ele observa –, o consumidor está preferindo comprar nas proximidades.”

Um terreno grande, de fácil acesso e localizado em área nem tão central, nem tão distante, é raro há pelo menos duas décadas. A diferença agora é que a concorrência deu novas alternativas ao consumidor, e ele pode escolher tanto pela localização como por outros benefícios. “De 20 a 30 anos para cá, se o shopping for mal localizado, o consumidor vai procurar uma opção mais perto de casa. Hoje é um grande desafio encontrar um terreno que comporte um centro de compras e tenha boa localização. A oferta está bastante escassa e o shopping não consegue pagar valores altos como o mercado imobiliário”, diz Claudio Sallum, sócio-fundador da Lumine Soluções em Shopping Centers. Segundo analistas de mercado no ramo de shopping, o metro quadrado na região da Faria Lima, zona oeste da capital paulista, por exemplo, chega a custar até R$ 50 mil.

O custo-benefício já está tombando para o lado do interior numa balança que equilibra acesso a terrenos e nível de demanda. “O avanço dos shopping centers para o interior do país é uma tendência natural. Enquanto as capitais são 27, as cidades do interior são mais 5,5 mil, e apenas em cerca de 150 delas há centros de compras. Existe um mercado em números muito maior no interior do que se tem nas capitais”, afirma Luiz Fernando Veiga, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Para 2014, a entidade prevê cenário favorável para o desenvolvimento da indústria, com a inauguração de mais de 40 shoppings até o final do ano, 30 deles fora das capitais.

Essa opção da indústria de shopping centers para o interior do país tende a se consolidar. Estudo elaborado pela Abrasce mostra que a maioria foi construída em municípios com até 500 mil habitantes, com uma média de 26.142 mil metros quadrado de Área Bruta Locável (ABL). “Todas as cidades sonham com um centro de compras, e razões para isso não faltam”, diz Veiga.

Segundo a Abrasce, os centros de compras eleva os ganhos econômicos dos municípios. “Os shoppings no interior de São Paulo têm se dado muito bem, com resultados excelentes para investidores e proprietários. Há, ainda, uma série de novas fronteiras sendo desenvolvidas no Centro-Oeste, interior do Nordeste e no Sul, que representam oportunidades para o incorporador da indústria de shopping Center”, acrescenta Jafet da Fiabci/Brasil e Secovi.

Com experiência de três décadas no ramo, Sallum garante que a demanda por esse tipo de empreendimento ainda é forte, até mesmo nas capitais, o que não significa que há espaço. “Ainda há demanda em cidades como Curitiba e Rio, mas encontrar um terreno é grande desafio”, conta. Na outra ponta, observa Sallum, os investidores estão também migrando para o interior na esteira dos shoppings por dois motivos. “Cresce a renda nas cidades médias e muitas delas não dispõem de centro de compras. Isso se associa a facilidades no acesso, já que em cidades menores, o shopping não precisa se localizar em região central.”

Fonte: Valor Econômico