Está chegando ao mercado a primeira safra de resultados cujo Ebitda (lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação e amortização, em inglês) segue os padrões determinados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A sigla é muito usada por investidores e analistas por indicar, de forma simplificada, a geração de caixa de uma companhia. Apesar de popular, só agora o indicador ganhou um formato padrão. De acordo com a Instrução 527, emitida em 2012 e válida para todos os resultados divulgados a partir deste ano, só é permitido usar dados contábeis auditados ao calcular o Ebitda.

A restrição já mostra seus efeitos, especialmente, nos casos de Ebitda ajustado — aquele que desconta eventos não recorrentes e particularidades do setor. Em alguns casos, a variação do indicador de um ano para outro se torna mais pronunciada graças à mudança, como ocorreu com a Copasa. Em seu último release de resultados, a companhia de saneamento registrou Ebitda ajustado de R$ 1,131 bilhão em 2012, 8,95% superior ao R$ 1,038 bilhão de igual período do ano anterior. No entanto, se fosse levado em conta o Ebitda de 2011, divulgado antes da nova regra, de R$ 1,07 bilhão, o incremento seria de 5,7%. Na Copasa, o Ebitda ajustado desconsidera as receitas e os custos de construção.

Outra que mudou seu Ebitda ajustado, mas nesse caso para melhor, foi a ALL, operadora de concessões de rodovias. O indicador de 2011 passou de R$ 1,494 bilhão para R$ 1,577 bilhão sob a nova modalidade. A projeção do indicador para 2012, segundo a prévia anunciada, é de R$ 1,683 bilhão.

A norma da CVM também obriga que, ao divulgar o Ebitda ajustado, a companhia justifique a adaptação. “Faltava transparência na forma como os ajustes eram feitos, nas suas motivações”, diz Bruce Mescher, sócio-líder de Global IFRS and Offerings Services (GIOS) da Deloitte.

Fonte: Revista Capital Aberto