Com o acirramento da disputa entre os controladores da siderúrgica Usiminas – Ternium, subsidiária do grupo ítalo-argentina Techint e a japonesa Nippon Steel & Sumitomo – a possibilidade de cisão dos ativos para divisão entre os sócios foi levantada. Essa reestruturação faz sentido?

Há pouco tempo um leitor do blog O Estrategista perguntou-me o que ocorreria com os minoritários da Usiminas caso os ativos da empresa fossem repartidos entre os sócios majoritários.

Esse tema não é novo. O Valor Econômico em reportagem de outubro de 2014 já discutia esse cenário. Segundo a matéria, os ativos em Cubatão ficariam com a Ternium, enquanto a unidade da Usiminas iria para os japoneses. Mas haveria outras unidades de negócios a serem repartidas como a Usiminas Mecânica, a Soluções Usiminas e a mineradora.

Como funcionaria a divisão? Seriam criadas duas empresas. Uma poderia manter o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da Usiminas, enquanto a outra receberia novo registro. Outra possibilidade é o CNPJ da Usiminas ser extinto e as duas novas companhias adquirirem novos registros.

Os acionistas atuais da Usiminas receberiam ações de ambas as empresas. Agora cada acionista, tanto controladores quanto minoritários, teria papéis de duas empresas e não apenas de uma. Caso essas duas empresas tenham portes parecidos, a Ternium poderia entregar as ações da empresa na qual ela não tivesse interesse para a Nippon, enquanto a japonesa faria o mesmo, fazendo com que a argentina e a japonesa passassem a controlar isoladamente cada empresa.

Um dos problemas entre vários dessa operação é que as empresas cindidas perderiam porte o que é fundamental em um setor oligopolizado como o siderúrgico com perda do poder de barganha junto a fornecedores e clientes. Além disso, seria difícil dividir os ativos de forma a que as duas empresas resultantes tivessem valores similares às participações que Ternium e Nippon possuem atualmente na Usiminas.

Cindir ao ativos parece improvável na Usiminas, mas pode ser boa solução para resolver disputas entre sócios em outras sociedades, inclusive em empresas fechadas.

Por André Rocha

Fonte: Valor Econômico