Embora as fusões e aquisições tenham disparado em 2014, as empresas europeias raramente têm gastado seu dinheiro em negócios. Trata-se de uma opção estratégica que traz consigo vários riscos, segundo analistas.

“Embora tenhamos assistido a um aumento do nível das fusões e aquisições, na Europa o grau de atividade em fusões e aquisições continua muito atrás”, diz Ian Macmillan, diretor de fusões e aquisições da consultoria Deloitte de Londres. “Se as empresas europeias quiserem obter um crescimento de dois dígitos, precisam considerar fusões e aquisições como parte de sua estratégia de crescimento”, afirma.

Gareth Williams, economista corporativo da Standard & Poor’s, sugere que as empresas europeias podem estar enfrentando uma falta de alvos irrecusáveis de potenciais aquisições. “Parte disso é uma ausência de oportunidades interessantes”, observa ele. “É interessante perguntar se o mercado não estaria oferecendo valor ou se atravessa uma estagnação secular.” Macmillan adverte que a falta de negócios poderá resultar na perda de competitividade pelas empresas europeias em relação a suas concorrentes americanas, mais aquisitivas.

As empresas da América do Norte puxaram o surto das atividades de fusão e aquisição neste ano. Muitas transações foram impulsionadas pelo fato de essas empresas terem grandes reservas de caixa no exterior, que enfrentariam penalidades de ordem fiscal significativas se repatriadas. Desde o início de 2013, foram anunciados treze negócios de “inversão fiscal”, no valor de US$ 178 bilhões, segundo a Dealogic.

“Nos EUA, as fusões e aquisições vêm sendo puxadas pela inversão fiscal”, diz Williams. “A direção que as empresas europeias têm tomado é investir pesado nos mercados emergentes. Mas, como os mercados emergentes têm enfrentado tempos mais difíceis nos últimos anos, essa fonte de crescimento ficou amortecida.”

As empresas da América do Norte responderam por 43% dos volumes de negócios de fusões e aquisições no segundo trimestre de 2014, segundo a Deloitte, comparativamente aos 38% do primeiro trimestre de 2013. Suas concorrentes europeias foram responsáveis por 37% dos volumes de negócios de fusões e aquisições do segundo trimestre de 2014, em relação aos 41% do primeiro trimestre de 2013. Até esta altura do ano, as companhias americanas gastaram US$ 89 bilhões na compra de empresas europeias.

Fonte: Valor Econômico