Com a aprovação da lei que permite o capital estrangeiro em hospitais no começo deste ano, vários fundos de private equity estão negociando a aquisição do controle do Grupo Vita, que tem unidades em Curitiba e Volta Redonda (RJ), e do Santa Joana, do Recife, segundo o Valor apurou. O Mater Dei, localizado em Belo Horizonte, também desperta interesse.

Ainda de acordo com fontes do setor, os americanos Advent, KKR, Goldman Sachs e TPG, além do inglês Apax estão no grupo dos interessados. O objetivo desses fundos é adquirir inicialmente um hospital bem estruturado para servir de plataforma para futuras aquisições. Vita, Mater Dei e Santa Joana se enquadram nesse perfil de hospitais com gestão profissionalizada. O Mater Dei confirmou que foi procurado por diversos fundos, mas não tem interesse em vender o negócio.

O valor das propostas para esses três grupos hospitalares gira em torno de oito a dez vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) do hospital. Segundo fontes, o Vita contratou o Santander para assessora-lo e o Santa Joana tem como ‘adviser’ o Credit Suisse.

Os três grupos hospitalares ainda são comandados pelos fundadores ou pela primeira geração, que têm em comum o bom trânsito no setor e o fato de que são médicos especializados em gestão. O administrador ter uma formação médica faz diferença com o corpo clínico.

O Grupo Vita já tem experiência com investidores porque no passado recebeu aporte por meio de debêntures. O Mater Dei inaugurou em 2014 uma nova torre com investimento de R$ 300 milhões, que fez o hospital dobrar de tamanho e contar com mais de 640 leitos. Já o Santa Joana é um dos hospitais mais tradicionais em Recife com acreditação da Joint Commission International (JCI).

Há cerca de 15 dias, o fundo Carlyle fez um aporte de R$ 1,75 bilhão por 8,3% do capital da Rede D’Or, o que representa 15 vezes o Ebtida do grupo. Mas dificilmente os múltiplos dessa negociação serão replicados em futuras transações porque a D’Or conta com uma grande estrutura. O grupo planeja entrar em dois ou três novos Estados do país por meio de aquisições nos próximo 12 meses. Hoje, está presente no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Recife.

A expectativa é que o setor hospitalar passe pelo mesmo processo de consolidação das empresas de medicina diagnóstica como Dasa, Fleury e Hermes Pardini, que fizeram várias aquisições.

O setor hospitalar também precisa de escala para ser rentável. No entanto, os hospitais brasileiros têm em média 71 leitos, sendo que o ideal é o dobro. Outro motivo do interesse dos investidores é que há um déficit de cerca de 13 mil leitos, o equivalente a 10% da base de 133 mil leitos privados. Para a construção desses novos leitos seriam necessários US$ 1,9 bilhão, segundo estimativa da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp).

Procurados, Advent, KKR e Santander informaram que não comentam rumores de mercado.

Fonte: Valor Econômico