A gestora Axxon fechou a captação de um fundo de US$ 400 milhões destinado a investimentos em participações em empresas (private equity), apurou o Valor. O fundo será o terceiro da gestora, fundada em 2001 no Rio em parceria com o banco francês Natixis, que não faz mais parte do negócio. Procurada, a Axxon não comentou o assunto.

A captação inaugura uma nova safra de fundos de private equity com foco em empresas de médio porte. Gestoras como a americana H.I.G. Capital e as brasileiras Confrapar, Leblon Equities e Neo Investimentos também estão em busca de recursos para adquirir participações em empresas, segundo fontes de mercado.

Praticamente 100% dos recursos do novo fundo da Axxon foram captados de investidores estrangeiros e que já eram cotistas da gestora. Com a desvalorização cambial, os ativos brasileiros ficaram mais baratos para quem possui fundos em dólar.

No fundo anterior, de 2011, a Axxon captou US$ 315 milhões e fez cinco investimentos: na BR Marinas, do segmento náutico, na rede de clínicas oncológicas COI, na empresa de engenharia Knijnik, na RHMed, de saúde e segurança no trabalho, e na Vivante, que presta serviços de manutenção predial.

Entre as companhias que já fizeram parte do portfólio da gestora estão a Mills, que presta serviços de engenharia e abriu o capital na bolsa em 2010, e a rede de varejo de produtos naturais Mundo Verde, vendida no ano passado para o empresário Carlos Wizard Martins.

As empresas médias se tornaram um alvo em potencial para os gestores de private equity diante do atual quadro de escassez de fontes de financiamento. “Ao contrário das companhias maiores, que já possuem uma gestão profissionalizada, as menores têm maior potencial de ganhos em processos de consolidação e melhora operacional”, afirma um gestor de fundos, que pediu para não ser identificado.

Entre os fundos com foco em empresas médias em captação, o maior em volume é o da H.I.G. Capital, que pretende levantar US$ 685 milhões para investir no Brasil e países vizinhos na região. A gestora americana já fechou oito negócios desde que chegou ao país, há três anos, mas com recursos de um fundo internacional. Procurada, a H.I.G. não comentou o assunto.

A nova safra de fundos para empresas médias ocorre após o último ciclo de captações das grandes gestoras de private equity com atuação no país. Em julho passado, o Pátria Investimentos captou US$ 1,8 bilhão para seu quinto private equity. A Gávea Investimentos, também em seu quinto fundo, levantou US$ 1,1 bilhão. No fim do ano, foi a vez da americana Advent, que fechou um fundo de US$ 2,1 bilhões para investir no Brasil e em outros países da América Latina, o maior da história dedicado à região.

Entre as gestoras de fundos bilionários, quem está no mercado no momento é a Southern Cross, que pretende captar até US$ 1,7 bilhão para investir na América Latina, incluindo o Brasil, segundo fontes. Se confirmado, o novo fundo terá o mesmo tamanho do anterior, de 2010. No país, a Southern Cross possui investimentos na fabricante de utensílios domésticos Brinox, na empresa de implantes dentários SIN, na Tópico e na Solaris, que atuam em armazenagem e aluguel de equipamentos.

Fonte: Valor Econômico