A GP Investments, a empresa de private-equity, obteve US$ 510 milhões para seu fundo número 5 com a venda de duas empresas, neste mês, quase o triplo do montante originalmente investido.

O fundo receberá US$ 260 milhões pela venda de sua participação de 46% na Sascar Participações SA, especializada em tecnologia para recuperação de veículos roubados, e US$ 250 milhões pela fatia de 41% da BR Towers, uma empresa de torres de telefonia móvel. A fabricante de pneus francesa Michelin comprou a Sascar e a American Tower Corp., com sede em Boston, adquiriu a BR Towers.

Desinvestimento

“Tivemos duas grandes oportunidades de desinvestimento em um ano eleitoral, o que mostrou muito interesse no Brasil por parte de empresas estrangeiras em algumas áreas-chave de negócios”, disse Fersen Lambranho, presidente do conselho da GP, à Bloomberg. “Os investidores receberão seu dinheiro de volta e a GP terá um impacto positivo em seus lucros”.

As transações da GP contribuíram com o salto de 65% no total de fusões e aquisições no Brasil neste ano até agora. O total alcançou US$ 28,6 bilhões em 2014 até o momento, segundo dados compilados pela Bloomberg. Cerca de US$ 2,3 bilhões desse total foram operações envolvendo fundos de private-equity, mostram os dados.

Empresas estrangeiras

Um maior número de empresas estrangeiras está adquirindo companhias brasileiras em meio à queda no valor das empresas locais e por causa do real mais desvalorizado, segundo Marco Gonçalves, sócio responsável pela área de fusões e aquisições do BTG Pactual, que tem sede em São Paulo.

A venda da participação representou 2,6 vezes o valor investido na participação na Sascar. No caso da BR Towers, o múltiplo foi de 2,8 vezes, segundo a GP. Lambranho disse que a empresa com sede em Hamilton, Bermuda, pretende levantar mais recursos no mercado para novos investimentos. O fundo número 5 tem US$ 1,1 bilhão comprometidos e cerca de US$ 710 milhões já investidos e a GP tem um total de US$ 5 bilhões comprometidos para investimentos.

Diversificação

“A maioria de nossos investidores são fundos de pensão e doação, empresas de seguros e private banking e escritórios familiares de fora do Brasil “, disse Lambranho. A empresa de aquisições também está tentando diversificar para mais regiões e setores para reduzir riscos e atrair investidores, disse ele.

A GP fechou um acordo para pagar US$ 33 milhões por uma participação de 27% na empresa suíça de investimentos Apen AG em uma transação anunciada em 21 de maio.

Mercados emergentes

O acordo ajudará a GP a expandir-se em mercados emergentes fora da América Latina, enquanto a Apen, que tem sede em Zug, Suíça, planeja investir na Ásia e, possivelmente, na Rússia. A GP é a maior acionista da empresa e tem o controle sobre sua gestão. A Apen tem US$ 450 milhões em ativos, disse Lambranho.

“A Apen tem o direito de gerenciar um fundo listado na Europa que pode investir em mercados emergentes em todo o mundo e tem uma estratégia passiva, investindo com outros gestores de fundos “, disse Lambranho.

Fonte: Monitor Mercantil Financeiro e Ecofinanças