O Bank of America Merrill Lynch (BofA) divulgou relatório a seus clientes informando que o ano será “quente” para aquisições em 2015, já que diferentes grupos de infraestrutura estão preparando a venda de ativos por necessidade de caixa. As dificuldades ocorrem principalmente pelas restrições de crédito no mercado, temeroso com os efeitos da Operação Lava-Jato para as empresas envolvidas.

Conforme já publicou o Valor, o grupo OAS, por exemplo, avalia o valor de sua fatia de aproximadamente 25% na Invepar para uma possível venda. Já o grupo Engevix estuda se desfazer de hidrelétricas, aeroportos e um estaleiro no Rio Grande do Sul.

O banco acredita que o momento, com escassez de bons e variados ativos e com uma agenda fraca de novos leilões, deve limitar o poder de barganha. “Por outro lado, os vendedores não estão em boa posição para negociar, o que deve favorecer compradores”, acreditam os analistas Sara Delfim, Murilo Freigberger, Roberto Otero e Joe Moura.

Para o banco, o grupo CCR é o que está mais bem posicionado para aproveitar as oportunidades do ano. “O mercado secundário [de aquisições] poderia adicionar oportunidades de crescimento paras os ‘players’ tradicionais de infraestrutura, como CCR, EcoRodovias e Arteris. Nós vemos a CCR bem posicionada para as oportunidades, com tamanho, posição firme de caixa e um sólido histórico de fusões e aquisições”, dizem os analistas.

“Nós vemos a CCR como o mais provável ‘player’ para estudar e potencialmente adquirir os ativos. A companhia tem R$ 2 bilhões em caixa, e poderia se alavancar com outros R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões”, afirmam.

A equipe acredita que a EcoRodovias também poderia ser um potencial comprador, de rodovias e aeroportos. No entanto, a necessidade por dividendos do controlador pode limitar o apetite, dizem. Já na Arteris, é provável que os diretores decidam manter o foco nas rodovias sob o portfólio atual.

Os analistas ainda detalharam que ativos “podem ser eventualmente” vendidos: a fatia do grupo UTC no aeroporto de Viracopos; a fatia de 25% da OAS na Invepar; a concessão da BR-153 do grupo Galvão; a participação da Engevix nos aeroportos de Brasília e Natal; as participações da Odebrecht TransPort em rodovias, em um terminal portuário e na operação de metrô da SuperVia; e até uma fatia da Rodovias do Tietê (de Ascendi e Atlantia Bertin).

Fonte: Valor Econômico