A recessão técnica verificada na economia brasileira nos dois primeiros trimestres do ano, confirmada na sexta-feira pelo IBGE, ainda não deixou sua marca nos resultados das grandes empresas. Levantamento feito pelo Valor Data mostra que o lucro líquido de 271 companhias de capital aberto, auxiliado pela taxa de câmbio mais favorável, aumentou 56% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 16,2 bilhões.

Os números, que parecem contrariar os dados que apontam atividade fraca no período, exigem análise cuidadosa. Do lado operacional, o desempenho foi bem menos expressivo. O lucro antes do resultado financeiro cresceu 10,6%, para R$ 34 bilhões. O menor número de dias úteis por conta da Copa do Mundo também inverteu a sazonalidade típica do período. No segundo trimestre, que costuma ser mais forte que o primeiro, o lucro líquido das companhias analisadas caiu 17,9%, com recuo de 12,9% no resultado gerado pelas operações.

Os balanços de Vale e Petrobras foram excluídos da amostra, já que, por seu tamanho e representatividade, elas tendem a distorcer o resultado geral.

A receita líquida das empresas analisadas cresceu 11,9% em relação ao segundo trimestre de 2013, para R$ 294,5 bilhões, sinalizando que a demanda continuou resiliente mesmo no período da Copa. O problema, mais uma vez, foram os custos de produção: no segundo trimestre de 2013, eles representavam 69,7% da receita líquida, fatia que passou a 71% no mesmo intervalo deste ano.

A contração das margens operacionais frente a um ano antes mostra que o movimento de redução de custos e despesas para melhorar os resultados está perdendo fôlego. Nesse cenário, o salto no lucro líquido do conjunto de companhias abertas na comparação anual é explicado, principalmente, pela queda de 2,67% na cotação do dólar frente ao real verificada entre abril e junho, que resultou em ganhos na conversão da dívida em moeda estrangeira.

Fonte: Valor Econômico