Ajustes fiscais do governo indicam cenário mais favorável, diz agência. Moody’s concedeu grau de investimento ao país em setembro de 2009.

A agência de classificação de risco Moody’s elevou nesta segunda-feira (20) a classificação do Brasil, de Baa3 para Baa2, com perspectiva positiva. Com isso, o Brasil fica um degrau acima do grau de investimento, obtido em setembro de 2009.

Segundo a Moody’s, os recentes ajustes fiscais promovidos pelo país devem resultar em um cenário macroeconômico mais sustentável, e sugerem melhoras nos indicadores fiscais e de crescimento no médio prazo.

A agência aponta que o governo tem se mostrado disposto a reverter políticas expansionistas e a adotar uma posição mais conservadora, mais consistente com um crescimento sustentável. A expectativa, afirma, é que a relação dívida/PIB brasileira mostrem queda, em conformidade com as metas fiscais do país.

Em comunicado, a Moody´s afirma que a perspectiva positiva mantida para o rating do Brasil captura a possibilidade de uma nova elevação da classificação nos próximos 12 a 18 meses. “Isto será possível se: 1) o crescimento econômico se moderar e continuar em taxas mais baixas – mas mais sustentáveis e 2) as autoridades quiserem e conseguirem cumprir as metas orçamentárias de curto prazo.”

Segundo degrau.
A Moody’s foi a segunda das três grandes agências de risco a elevar o Brasil acima do primeiro nível do grau de investimento. As outras duas agências são a Fitch e a Standard & Poor’s.

Em abril, a Fitch já havia elevado a posição brasileira, de BBB- para BBB, também um nível acima do grau de investimento por essa agência. A S&P mantém a classificação de risco brasileira em BBB-, o primeiro considerado grau de investimento, desde abril de 2008.

Os ratings de crédito são utilizados por investidores como indicação da probabilidade de receberem seu capital aplicado de volta, segundo os termos acordados na ocasião da realização do investimento.

Entenda a avaliação de risco de investimento.
A avaliação de risco de investimento é um sistema de nota desenvolvido por agências de análise de riscos para alertar os investidores de todo o mundo sobre os perigos do mercado em que eles escolhem para aplicar seu dinheiro.

A partir da nota de risco recebida por determinado país, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido por causa da instabilidade do país em questão.

O principal benefício de o país se tornar “investment grade” é atrair grandes investidores de países desenvolvidos que, por regras dos seus estatutos, só podem investir em ativos considerados de baixo risco.

A classificação da Moody’s tem 21 categorias. A principal, Aaa, é atribuída a países como Alemanha, Estados Unidos e Suíça. Países classificados abaixo da categoria Baa3 são considerados de “grau especulativo”.

Na faixa Baa2, o Brasil se encontra na mesma categoria, segundo a Moody’s, do Cazaquistão e das Ilhas Maurício, e um degrau abaixo do México e da Rússia.

Fonte: G1.