O que torna Warren Buffett Warren Buffett?

Essa pergunta dominou a reunião anual dos acionistas da Berkshire Hathaway que, no último fim de semana, comemorou o 50o aniversário da aquisição da empresa por Buffett. A carta de Buffett aos acionistas no relatório deste ano discorre um pouco sobre suas lembranças – e as do vice-presidente do conselho de administração, Charles T. Munger – de como um investidor introvertido e anônimo de Omaha, no Estado americano de Nebraska, transformou uma agonizante tecelagem da cidadezinha de New Bedford, em Massachusetts, na quarta maior empresa americana de capital aberto por receita.

Alguns dos segredos do sucesso de Buffett como investidor podem ser copiados por quase todo mundo; outros, por quase ninguém. Como saber qual é um e qual é outro? É necessário saber exatamente o que ele faz.

Buffett sempre se organizou com um foco único em investimentos sensatos, sem ter que dar satisfação a clientes impa-cientes ou ficar obcecado com o que outros investidores estão fazendo.

“Sempre foi mais fácil para mim porque eu controlo a empresa”, disse-me Buffett na semana passada. “Então, eu pude jogar com minhas próprias regras, e isso certamente era incomum entre as empresas antigas [que administram dinheiro].”

Esse jogo é melhor descrito como a busca por objetivos imutáveis através de meios que mudam constantemente.

Buffett, que tem 84 anos, nunca abandonou as regras aprendidas com seu mentor, Benjamin Graham: ações são a propriedade de parte de uma empresa, não pedaços de papel; seu preço de mercado é frequentemente movido mais por alterações de humor de investidores que pelo valor da própria empresa; e investir vale a pena apenas quando o valor excede o preço em quantidade suficiente para criar uma “mar-gem de segurança”.

Ele também nunca mudou de opinião sobre três das mais poderosas armas do arsenal do investidor: dinheiro, emoção e informação.

Ao contrário da maioria dos gestores de recursos, que odeiam ter dinheiro estacionado na carteira porque isso prejudica o desempenho em mercados altistas, Buffett adora um caixa gordo. Em sua carta de 2010, ele escreveu que dinheiro equipa a Berkshire “financeira e emocionalmente para atacar enquanto os demais lutam para sobreviver”.

A emoção de Buffett é inversa: a ganância dos outros investidores o alarma e ele está sempre ávido para lucrar com os medos deles. “Uma das coisas mais difíceis para a maioria dos investidores é ficar parado vendo outras pessoas ganharem dinheiro”, diz Howard Marks, um dos presidentes do conselho de adminis-tração do Oaktree Capital Management, que conhece Buffett há muitos anos. “Mas isso não incomoda Warren de forma alguma quando as oportunidades estão fora de sua esfera.”

Há muito tempo Buffett se transformou em um centro de informações, absorvendo dados, armazenando-os em sua prodigiosa memória e desenvolvendo uma rede de contatos transbordando de boas ideias. “Warren tem a capacidade de descobrir quais coisas são importantes em uma narrativa completa e ignorar tudo o mais”, diz Marks. “Ele também é extraordinariamente bom em saber em que ele é bom e em que ele não é, e ficando longe destes últimos.” Mas Buffett emprega esses princípios hoje através de meios muito diferentes que em décadas anteriores.

Olhe para as cartas de investimento que ele escreveu para seus sócios nas décadas de 50 e 60, antes de ele encerrar suas sociedades de investimento e transformar a Berkshire Hathaway em seu principal veículo. Na época, ele se concentrou em três estratégias: o que chamava de “papéis geralmente subavaliados”, ou ações baratas que ele não controlava; os “exercícios”, oportunidades para arbitrar, ou capturar diferenciais de pre-ços em fusões e outros negócios; e “situações de controle”, ou empresas em que ele possuía uma participação grande ou majoritária. Naqueles dias, Buffett podia apostar alto em empresas pequenas e obscuras com preços ótimos. Durante sua carreira, ele já teve 21% dos ativos totais da Dempster Mill Manufacturing, fabricante de implementos agrícolas e de irrigação de Nebraska, e 35% da Sanborn Map, empresa de cartografia de Nova York cuja carteira de investimentos superava seu valor de mercado.

De 1957 até 1968, essas estratégias combinadas produziram um retorno médio de 25,3% ao ano, comparado com 10,5% do S&P 500. Mas à medida que a Berkshire se transformava em um gigante, investir nessas pechinchas de tamanho minúsculo perdeu a importância.

Então, incentivado por Munger, Buffett migrou para empresas maiores com preços bons: Coca-Cola, Wal-Mart, Wells Fargo. E Buffett alternava entre o mercado acionário e firmas de capital fechado, ou o que ele chamava de mercado “negociado”, onde poderia usar os bilhões da Berkshire para comprar empresas diretamente.

Outra chave para as habilidades de Buffett como investidor é seu entusiasmo, mesmo sendo octogenário. Ele recebe um salário anual de US$ 100 mil e diz que devolve metade para a companhia. Apesar disso, ele me disse na semana passada: “Eu considero esse o emprego mais ricamente remunerado da história do mundo, calculado pelo quanto eu me divirto. E vem sendo ainda mais divertido porque tenho Charlie ao meu lado.”

Para aprender com Buffett, concentre suas energias em descobrir quais suas ambições como investidor, quem você é, o que você conhece e o que não. Seja inflexível nesses princípios. Então mude e aprenda e cresça incansavelmente enquanto coloca esses princípios em prática.

Fonte: Valor Econômico