Com a globalização da economia, a possibilidade de produtos, ativos e pessoas serem transferidos e adequadamente utilizados é um caminho que muitas empresas vêm avistando há anos como estratégia para a expansão de negócios. E esse caminho deve ser percorrido mediante fusões e aquisições, que afetam diretamente os profissionais e, consequentemente, a sua produtividade, para cima ou para baixo, dependendo da forma como eles forem inseridos no processo.

O volume de fusões e aquisições de empresas no Brasil encolheu no 1.º semestre deste ano, em razão da fraca atividade econômica e da volatilidade do mercado de capitais. Mas, apesar de uma freada expressiva em relação ao mesmo período de 2012, o número de transações ainda é significativo e movimenta aproximadamente US$ 20 bilhões. Tais transações, vale lembrar, atingem um grande número de pessoas que trabalham nas empresas envolvidas. Muitos profissionais hoje no País estão passando por esse processo. Eu mesmo conheço vários entre meus amigos, alunos, colegas e parentes.

No que tange às relações trabalhistas, o cenário macroempresarial que circunscreve as fusões e aquisições é, em geral, o de crescimento de programas de demissão voluntária; terceirização de atividades não essenciais; elevação do grau de exigência para novas contratações de profissionais; profissionalização das então empresas familiares; e surgimento de novas formas de remuneração. Quanto às questões microempresariais, no início de uma fusão e aquisição os colaboradores sofrem um processo de adaptação, que precisa ser muito bem planejado para que não seja traumático para a empresa e para que não ocorra perda de produtividade.

É natural, no momento da fusão e aquisição, vir à cabeça dos profissionais receios por questões como: quem será o meu novo chefe? De qual equipe de trabalho farei parte? Todo o meu esforço e os meus anos de trabalho nesta empresa serão considerados? A carreira terá um novo modelo? Quais serão as novas exigências para eu crescer profissionalmente? Os atuais benefícios permanecerão? E, finalmente, ficarei na empresa ou serei dispensado?

Assim, o início de uma fusão e aquisição é um momento de aculturação, em que é necessário focar na gestão eficaz da mudança. Quanto à direção da empresa, compete trabalhar com maestria a comunicação das alterações, não deixando que a comunicação informal prepondere em detrimento da comunicação formal. Urge, nesta hora, mostrar aos profissionais, com muita transparência, que as intervenções são necessárias e que estão fundadas em critérios justos.

Faz-se necessário cuidar, também, das ferramentas que serão utilizadas. Elas precisam ser muito bem elaboradas de modo a se adaptarem à realidade da cultura na qual a companhia está inserida, fazendo com que elas realmente sirvam aos seus propósitos motivacionais e que não conflitem com a legislação trabalhista local.

Finalmente, quanto ao profissional que está vivenciando o início da fusão e aquisição, cabe a ele, neste processo de adaptação ao novo, acreditar, ou seja, internalizar mentalmente a necessidade das mudanças. Só assim ele conseguirá perceber quais são as competências que deverá preservar, quais as que não agregam mais valor e que ele deverá esquecer e quais terá de adquirir para responder às novas exigências decorrentes da fusão e aquisição. Assim, ele não será apenas sobrevivente, mas sim um agente de mudanças.

O fato é que as fusões e aquisições são um importante meio de reestruturação ou crescimento das grandes corporações, que adquirem empresas com vistas à diversificação, ou à sobreposição da concorrência, ou à aquisição de tecnologia propriamente dita. Embora o cenário neste ano não esteja favorecendo a expansão das fusões e aquisições, elas são uma tendência irreversível no mundo corporativo. Cabe, portanto, às empresas e aos profissionais estarem preparados para elas.

Fonte: O Estado de São Paulo