Tamanho não é documento, especialmente para os conselhos de administração das maiores empresas americanas.

Empresas com menos membros no conselho obtêm retornos consideravelmente maiores para seus investidores, segundo um novo estudo que a firma de pesquisa GMI Ratings preparou para o The Wall Street Journal. Conselhos menores de grandes empresas estimulam debates mais profundos e tomadas de decisões mais rápidas, dizem conselheiros, recrutadores e pesquisadores.

Veja o caso da Apple: No início do ano, quando Sue Wagner, sócia-fundadora da firma de investimentos BlackRock, estava sendo cogitada para ocupar um lugar no conselho da gigante de tecnologia, ela se encontrou com quase todos os outros membros em poucas semanas. Tal processo de seleção normalmente leva meses.

Mas os membros do conselho da Apple são ágeis porque são apenas oito. Depois de ser rapidamente aprovada, Sue Wagner se uniu ao conselho da Apple em julho. Ela não pôde ser contatada para comentar.

Entre empresas com valor de mercado de pelo menos US$ 10 bilhões, aquelas com conselhos menores normalmente produziram retornos substancialmente maiores para os acionistas durante um período de três anos, entre meados de 2011 e 2014, em comparação àquelas que possuem conselhos maiores, mostrou a análise da GMI, que incluiu quase 400 empresas.

 

As empresas com conselhos menores superaram outras nos seus respectivos setores por 8,5 pontos percentuais, enquanto as que tinham conselhos maiores ficaram 10,85 pontos percentuais abaixo. Os menores conselhos tiveram uma média de 9,5 membros, ante 14 nos maiores. O tamanho médio foi de 11,2 integrantes, considerando todas as empresas estudadas, afirmou a GMI.

“A supervisão da administração é mais eficaz com um conselho menor”, diz Jay Millen, presidente do conselho e diretor-presidente de práticas para recrutadores da DHR International.

Muitas empresas estão reduzindo seus conselhos para aumentar a eficácia deles, diz Millen. Ele ajudou recentemente uma empresa de produtos de consumo a reduzir seu conselho de dez membros para sete e, ao mesmo tempo, trazer mais membros especializados em mercados emergentes.

Os resultados da GMI, replicados por dez setores como energia, varejo, serviços financeiros e saúde, teriam implicações significativas para a governança corporativa.

Os conselhos menores tendem a demitir mais diretores-presidentes por fraco desempenho — uma ameaça que diminui significativamente à medida que os conselhos ganham mais membros, diz David Yermack, professor de finanças da Universidade de Nova York, que estudou o assunto.

É difícil apontar precisamente por que o tamanho do conselho afeta o desempenho. Mas conselhos menores em empresas com grande valor de mercado, como Apple e Netflix parecem ser mais resolutos, coesos e mãos na massa. Esses conselhos normalmente têm reuniões informais e poucos comitês. Os membros do conselho da Apple, conhecidos por sua lealdade ao fundador Steve Jobs, estreitaram seus laços com o diretor-presidente, Tim Cook, segundo uma pessoa a par da situação. Cook frequentemente se reúne com cada diretor em separado, nos períodos entre as reuniões do conselho, “para pesar os prós e os contras de cada questão”. Essa iniciativa é possível somente graças ao tamanho reduzido do conselho, diz a fonte.

Cook seguiu essa prática enquanto decidia se contratava ou não Angela Ahrendts, então diretora-presidente da empresa de artigos de luxo Burberry, para a posição de diretora de varejo. Conversas privadas com os membros do conselho o ajudaram a contratá-la, diz a fonte. Ela começou a trabalhar na Apple em abril.

Sue Wagner, a mais nova integrante do conselho da Apple, substituiu outro que se aposentou. O conselho não quer mais de dez membros para não prejudicar sua flexibilidade, diz uma pessoa a par do assunto.

Os ganhos da Apple superaram outras empresas do setor de tecnologia por 37 pontos percentuais, acumulados durante os três anos monitorados pela GMI. Uma porta-voz da Apple não quis comentar.

Já o Netflix, que tem sete conselheiros, registrou ganhos igualmente elevados, superando empresas do setor por cerca de 32 pontos percentuais. Membros do conselho da empresa da transmissão de vídeo debatem extensivamente antes de aprovar mudanças administrativas importantes, diz Jay Hoag, seu principal membro independente. “Nós nos aprofundamos”, diz. “Isso é mais fácil com um grupo pequeno.”

O conselho da Netflix passou cerca de nove meses discutindo um aumento nos preços, com alguns membros cobrando duramente executivos sobre a necessidade da medida, diz Hoag. O Netflix elevou os preços no início do ano para novos clientes americanos, seu primeiro aumento desde 2011.

Um conselho duas vezes maior não teria tempo para “se aprofundar nas questões que importam”, diz Hoag.

Theodore “Tim” Solso, presidente do conselho da General Motors, concorda. Em 2012, ele se tornou o décimo-quarto membro do conselho da montadora. Com 14 conselheiros, é mais difícil realizar as reuniões. “Frequentemente, você tem pessoas dizendo a mesma coisa”, diz ele. “Não é tão eficiente como um conselho menor.”

Um conselho grande de uma empresa com grande valor de mercado pode, porém, oferecer certos benefícios. Em setores muito regulados, como o de serviços financeiros, grandes conselhos fazem mais sentido, diz uma pessoa próxima ao Bank of America. “Eles permitem que ocorra uma diversificação do raciocínio.” O Bank of America, que tem 15 conselheiros, perdeu para outros bancos por cerca de 45 pontos percentuais, afirmou a GMI. O porta-voz Jerome Dubrowski diz que o banco discorda do estudo. O conselho do Bank of America criou métodos para minimizar as potenciais desvantagens de ter um conselho grande, dizem fontes. Os cinco comitês do conselho — cada um com cinco diretores — “trabalham para valer” e o conselho completo raramente discorda dos relatórios dos comitês, diz uma fonte.

Reduzir um conselho grande pode levar anos. Solso, da GM, diz que o atual conselho da montadora, de 12 membros, se beneficiaria de uma redução maior.

Fonte: The Wall Street Journal