Não são todas as grifes cariocas que estão fechando as portas. Há quem tenha conseguido se organizar para enfrentar períodos de retração no consumo. É o caso da Farm, que em 2010 se uniu ao grupo Animale, comandado por Roberto Jatahy.

Antes da fusão, a Farm faturava R$ 109 milhões e tinha 23 lojas. Encerrou o ano passado com 60 lojas e faturamento de R$ 333 milhões. “A fusão para a Farm foi fundamental. A partir da união aproveitamos a onda que estava a favor do mercado para crescer. Abrimos muitas lojas e ficamos grandes, não é mais uma queda de consumo que nos derruba”, disse Marcello Bastos, diretor da Farm. O crescimento da Farm, desde a fusão, em 2010, foi de 35% ao ano.

O mercado também acompanha o desempenho do grupo, que constantemente recebe propostas para vender uma fatia do negócio. “Passamos um ano e meio negociando com o [fundo] Tarpon, aprendemos muito como funciona uma fusão. Não deu certo porque demorou demais, eles queriam o controle, mas nós não queríamos vendê-lo”, disse Bastos.

Ele considera estratégica a chancela de um dos maiores fundos de investimento na área, e não descarta como possibilidade futura. “No momento nosso foco é organizar e olhar para dentro. Olhamos sempre como possibilidade, mas quando tem redução de consumo, não é bom momento para fechar negócio”, disse Bastos, que não descarta possibilidade de aquisições.

“Existe a possibilidade. Olhamos isto o tempo todo, mas não agora. É para 2015, com a conclusão da arrumação da casa. A gente não escolhe só as marcas, escolhe os sócios”, continuou Bastos.

Ele negou que tenha tomado financiamento de R$ 200 milhões com o Credit Suisse, conforme o mercado especulou logo após o término das negociações com a Tarpon.

“Estamos supercapitalizados. O Credit Suisse nos procurou e ofereceu linha de crédito com este limite, mas nós nunca pegamos”, disse Bastos. Segundo ele, o endividamento da Farm Animale é menos de 0,5% do Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

A Farm aproveitou a retração no consumo para investir internamente. Abriu novo centro de distribuição e contratou profissionais. “Crescemos tanto que estamos estrangulados na nossa infraestrutura”, disse Bastos.

Por isso, segundo ele, a empresa optou por pisar no freio e se estruturar para uma nova fase de crescimento, prevista para o segundo semestre de 2015. Este ano a Farm planeja crescer 20%, com faturamento de R$ 400 milhões.

A marca também prepara sua expansão internacional. A ideia é se associar a um produtor local, para dar competitividade à marca. “Vamos ganhar dinheiro com essas lojas. Não temos pressa, tem que ser sustentável”. Por enquanto a empresa está coletando informações. Estuda três cidades: Nova York, Milão e Barcelona.

A marca já é conhecida internacionalmente após o sucesso de suas coleções-cápsula com a Adidas. A primeira vendeu 471 mil peças em 130 países. No Brasil, 55 mil peças esgotaram rapidamente, e geraram mais de R$ 1,5 milhão em royalties. “A primeira coleção foi o maior sucesso mundial de coleções-cápsula da Adidas”, disse Bastos. A segunda foi lançada no final de agosto.

Sobre o mercado de grifes, Bastos afirmou que o segredo é inovar sempre. “Algumas [marcas] não conseguiram ultrapassar [cenário econômico mais complicado] porque deixaram de inovar e acreditaram demais no peso de ser carioca. Se não for verdade, vai ficar pelo caminho”.

A Farm sempre busca parcerias com outras empresas. Ela é a única no país com autorização da Disney para estampar o papagaio Zé Carioca em suas roupas.

“Vamos fazer parceria com a Kibon no verão, e pedimos que eles façam um sorvete de mate com limão. Temos um grupo no marketing que fica pensando essas coisas”, disse o diretor, citando a marca de sorvete da Unilever.

O investimento anual da Farm em marketing equivale a 3% do faturamento. Ela tem equipe de ‘branding’, marketing e departamento visual, que cuida de manutenção estética das lojas e do perfil das vendedoras. O canal virtual representa quase 10% das vendas. São 40 mil acessos por dia e R$ 3 milhões em vendas ao mês. Em lojas físicas a venda é R$ 400 mil ao mês.

Fonte: Valor Econômico