Na última semana, em Joanesburgo, foi realizado o Brazil-Africa Leadership Forum, evento promovido pela Financial Times para debater as perspectivas dessa corrente de negócios que se eleva a cada ano.

O advogado Paulo Rage foi um dos debatedores convidados e fez uma análise sobre os atuais investimentos, suas tendências e a comparação com os investimentos dos demais países, em especial China e India.

Rage destacou que a corrente de comércio entre Brasil e África, que cresceu 410% em 10 anos, tem maior volume com Angola, África do Sul, Argélia e Nigéria. Já no que tange aos investimentos, grande atenção e fluxo de capitais brasileiros tem sido direcionados para Moçambique, Angola e África do Sul, destacando projetos de empresas brasileiras como: Vale, Petrobrás, Odebrecht, OAS, AG, Camargo Correa, Fidens, Marcopolo, dentre outras, bem como os projetos de cooperação capitaneados por Embrapa e Fiocruz.

Além disso, o advogado fez um importante paralelo entre os investimentos brasileiros e o de demais países, elucidando que os projetos brasileiros tendem a trazer grandes benefícios a longo prazo para os países africanos. Apesar do fato da grande competitividade de preço, a curto prazo, dos demais investidores provenientes dos BRICS, os projetos de empresas brasileiras focam bastante da sua sustentabilidade a médio e longo prazo, com o forte contingente de transferência de tecnologia e capacitação de mão-de-obra local.

Segundo ele, todo projeto de operação transnacional de empresas brasileiras já se inicia evitando ao máximo a expatriação de brasileiros, cujos encargos são bastante onerosos, estimulando a utilização da mão-de-obra local. Isso acontece com investimentos em todo o globo, e não seria diferente para os projetos na África. Destacou ainda o debatedor, que o baixo crescimento econômico do mercado brasileiro certamente tem impulsionado as empresas para investir no mercado africano, cujas cifras de crescimento tem sido muito maiores. Também foi lembrado por Rage o importante papel da Vale no caso de Moçambique, onde já se tem a presença estruturada ou em estruturação de mais de 50 empresas brasileiras, das quais ao menos 35 foram inicialmente incentivadas a investir no país a convite da Vale, como suas fornecedoras, mas que com o tempo se firmaram com uma operação sustentável, com novos clientes e parcerias duradouras com empresas locais.

Além de Diretor Jurídico da Investor Consulting Partners e Diretor da Câmara de Comércio Brasil-Moçambique, Paulo Rage tem longa experiência na estruturação jurídica de investimentos brasileiros no continente africano e na proposição de Tratados e outros instrumentos jurídicos de promoção recíproca de investimentos, tendo trabalhado em projetos em diversos países, com destaque para: Moçambique, Angola, África do Sul, Malawi, Guiné Equatorial e Nigéria.