Em meio a dificuldades de caixa e com um pesado compromisso de investimento, a Petrobras analisa vender participações em áreas no pré-sal como solução de curto prazo para enfrentar dificuldades financeiras.

Investidores financeiros e petroleiras instalados no exterior estão sendo sondados para avaliar se têm interesse no negócio. O projeto ainda está sendo tratado no âmbito da diretoria da estatal.

Se concretizado, vai ajudar a empresa a enfrentar os percalços provocados pelas denúncias de corrupção e pelo endividamento, que cresceu no último ano com a elevação do dólar frente ao real.

Da dívida total da empresa, 81% são em moeda estrangeira.

Segundo fonte envolvida na operação, o projeto faz parte do programa de desinvestimento da companhia, que, até agora, esteve focado na venda de ativos no exterior.

A partir deste ano, a Petrobras vai direcionar os esforços a ativos de exploração e produção no Brasil, principalmente, em áreas atrativas a investidores, sem, no entanto, comprometer o plano de alcançar a marca de produção de 4 milhões de barris por dia, em média, a partir de 2020.

O que deve dificultar o plano da Petrobras é a atual queda livre no preço do barril de petróleo no mercado externo. O movimento começou em outubro, quando o barril era negociado na casa dos US$ 90.

Hoje, o petróleo está sendo cotado a US$ 47 na bolsa de Nova York. Nesse cenário, a expectativa é que o interesse das petroleiras internacionais em ampliar a produção seja menor e mesmo que o caixa dessas petroleiras esteja enfraquecido.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou que algumas das sócias da petroleira no pré-sal estão sondando possíveis parceiros na Europa e na China.

Duas empresas chinesas, a CNPC e a CNOOC, já estão no pré-sal ao lado da Petrobras, no campo de Libra, com 10% de participação cada uma.

Mas, diferentemente de Libra, as áreas do pré-sal analisadas agora foram contratadas em regime de concessão e, por isso, não exigem que a Petrobras seja a operadora e tenha uma participação mínima de 30%.

O desenho da operação pela Petrobras ainda não está fechado, mas, o ideal para a estatal seria manter participação nos projetos.

Outra alternativa seria recorrer a novos parceiros que entrem apenas com dinheiro, sem que as participações acionárias sejam alteradas.

O ganho desses investidores viria do resultado da produção.

O especialista da PUC-Rio Alfredo Renault acredita que o projeto seria bem recebido pelo mercado, porque diminuirá o esforço de investimento da Petrobras.

Ao mesmo tempo, alerta que esse não é o melhor momento para vender ativos em exploração e produção por conta da queda no preço do barril do petróleo.

Graça Foster, presidente da Petrobras, confirmou, em encontro com jornalistas, em dezembro, que a Petrobras levará adiante seu plano de desinvestimento para fazer caixa e reduzir compromissos e manterá o foco nos projetos considerados prioritários.

Ao comentar o plano, demonstrou também convicção de que o preço do petróleo voltará a subir, o que favorecerá a venda de áreas. “Dói falar em desinvestir em E&P (exploração e produção) com o petróleo em baixa”, afirmou.

A Petrobras possui, atualmente, dez áreas em fase de exploração no pré-sal, com mais chance de entrarem na lista de desinvestimento, em sociedade com outras petroleiras, nas bacias de Campos e Santos, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Nesses casos, as participações da Petrobras variam de 30% a 80%.

Fonte: Exame