O game para dispositivos móveis “Candy Crush” se define como “o jogo mais doce que existe”. Mesmo assim, é possível que a compra da King, empresa por trás do game, deixe tanto os investidores como os jogadores com um gosto amargo na boca. A King foi comprada por US$ 5,9 bilhões pela empresa americana Activision Blizzard, responsável por games como “World of Warcraft” e “Call of Duty”, bem diferentes de jogos simples para celulares. O negócio bilionário chamou atenção por superar outras mega-aquisições, caso da Microsoft ao comprar por US$ 2,5 bilhões os desenvolvedores da Minecraft e do Facebook ao comprar por US$ 2 bilhões a empresa Oculus, que faz headset de realidade virtual.

O que então está por trás do negócio bilionário?

Games no celular
A empresa de pesquisa Newzoo estima que 2015 será o ano em que a receita de games de celular vai superar a dos jogados em consoles, mesmo estes sendo bem mais caros. Isso se deve, em partes, ao fato de que muito mais gente joga em tablets e outros dispositivos, mas também pelo sucesso da King e de outras empresas semelhantes em convencer os jogadores a fazer compras em seus games. Ou seja, eles não tentam fazer os jogadores gastar altas quantias para liberar o acesso ao conteúdo do jogo. No caso, os consumidores pagam valores bem menores para baixar o software ou o baixam gratuitamente e, depois, são convencidos a pagar quantias extras para destravar níveis, adicionar habilidades ou mudar a aparência de seus personagens.

Como muitos jogadores – e pais – perceberam, o custo desses itens virtuais podem parecer baratos, mas somados podem ficar bem altos.

Dificuldades
A Activision Blizzard tem sofrido para criar um impacto no mundo dos celulares, mesmo tendo lançado dezenas de games. No entanto, os jogos da King (“Candy Crush Saga” e sua sequência, “Candy Crush Soda Saga”) estão há anos entre os títulos mais lucrativos. No final do ultimo quadrimestre, a King divulgou um faturamento de US$ 490 milhões, com 501 milhões de usuários ativos. Mesmo assim, alguns analistas temem o futuro do negócio. “Sua audiência atual caiu (de um pico de 550 milhões de usuários ativos)”, diz Piers Harding-Rolls, da consultoria IHS Technology. “A King alega que audiência caiu com usuários que não monetizavam tanto e que agora está focado nas pessoas que tendem a gastar mais nos jogos. Mas eu ainda acredito que há um desafio pós-Candy Crush que a Activision terá de superar.” E esse ponto pode mesmo ser crucial. A empresa desenvolveu mais de 200 títulos desde sua fundação, há 12 anos, mas nenhum deles chegou perto do sucesso de “Candy Crush”.

A King teve um de seus últimos lançamentos, o “AlphaBetty Saga”, em primeiro lugar no número de downloads. Mas a verdade é que o game não está mais nem entre os top 100. Outros desenvolvedores – incluindo o do “Angry Birds” (Rovio) e “Clash of Clans” (Supercell) – também tiveram dificuldades em criar novas franquias para continuar lucrando com suas marcas principais. É esse mesmo risco de queda que Activision terá de enfrentar.

Fonte: g1.globo.com