A decisão da venda da operação de lácteos pela BRF para a Parmalat por 1,8 bilhão de reais, anunciada ontem e antecipada por EXAME, já estava nos planos da BRF há tempos.

A iniciativa faz parte de um plano estratégico traçado desde a chegada de Abílio Diniz à presidência do conselho de administração da BRF, em abril de 2013, com um objetivo claro: dobrar a margem do negócio.

A missão maior, e não declarada, é fazer com que os papéis da empresa cresçam no mesmo ritmo e cheguem a 100 reais até 2017, segundo matéria da edição de 1063 de EXAME.

Resultado da fusão da Sadia com a Perdigão, a BRF trazia uma margem estimada de 10% no total de suas operações, recheadas de regras equivocadas, na visão dos novos gestores.

Pagamento de bônus mesmo sem resultados atingidos, custos elevados de produções e operações com vendas pouco atraentes seriam algumas delas.

A operação de lácteos, que inclui as marcas Batavo e Elegê com refrigerados, queijos e leite longa vida, era uma das que exigia mudanças.

Isso porque a produção tinha um custo alto perto da margem que trazia e do risco de negócio, incluindo a validade menor dos lácteos comparado aos demais itens do portfólio da empresa.

A parte logística era outro desafio. Parte das 11 unidades lácteas da BRF – que incluem fábricas em Bom Conselho (PE), Carambeí (PR) e Santa Rosa (RS) – ficavam distantes dos centros comerciais dos produtos.

Foco nos fatiados

De acordo com analistas de mercado, o foco da BRF agora passa a ser – apenas – Sadia e Perdigão.

A área de produtos fatiados das duas marcas teria, na visão do novo comando, um potencial maior para ser explorado.

Seguir o passo de varejistas fora do país, com a venda de frios já fatiados para supermercados, poderia render uma margem maior, além de descartar entraves com a Anvisa.

Fonte: Exame