Empreendedores de negócios de pequeno porte sempre leêm notícias sobre fusões e aquisições nos jornais e se assustam com o porte das empresas envolvidas e o volume financeiro envolvido na situação. Muitos ainda não entendem como duas empresas tão conhecidas e saudáveis financeiramente decidiram unir suas operações; outros não entendem como determinado empreendedor teve a coragem de vender sua criação, um filho ou filha que ele(a) criou durante vários anos ou mesmo décadas. Terminada a leitura da notícia, passam para a próxima página.

Mas um número restrito, porém crescente, de empreendedores começa a analisar o tema fusão e aquisições como uma alternativa de fortalecimento do seu negócio ou mesmo como estratégia para aumentar o valor empresa diante da chegada de um novo investidor.

Empreendedores podem se beneficiar do mesmo processo de M&A (de Mergers and Acquisitions, como pomposamente gostam de ser chamadas estas áreas nas consultorias e bancos de investimentos) utilizado nas grandes transações o devido auxílio de um contador competente.

A primeira etapa consiste em elaborar uma estratégia de crescimento para os próximos anos. Boa parte das consultorias utiliza um horizonte de 5 anos. Isto demanda uma reflexão de como estará o mercado em que a empresa atua nos próximos anos. Muitos empreendedores já demonstram que são míopes já nesta etapa ao considerem que estão no mercado da característica e não do benefício do seu produto ou serviço. Uma empresa de brinquedos não vende brinquedos (característica) e sim o benefício do brinquedo (entretenimento infantil e/ou desenvolvimento educacional). Portanto, como estará o mercado de entretenimento (educativo ou não) infantil nos próximos anos no segmento de mercado em que a empresa atua?

Este trabalho de elaboração da estratégia permite que o empreendedor vislumbre oportunidades de desenvolvimento do seu negócio que poderá ser acelerado por meio da fusão ou aquisição de um concorrente que atue na mesma característica (um fabricante de brinquedo compra outra fabricante de brinquedos) ou em benefício semelhante (compra negócio de livros infantis). O negócio pode ser fortalecido também com a fusão ou aquisição de alguma empresa que esteja antes ou depois do seu negócio na cadeia de valor (Um fabricante de brinquedos compra uma importadora de brinquedos ou uma loja que poderá adquirir um formato de franquia no futuro).

Uma vez definida as alternativas de fusões e aquisições, é hora de identificar possíveis candidatos à fusão ou aquisição. Normalmente, os empreendedores já sabem com quem poderiam fundir suas operações ou quais negócios poderiam adquirir. Mas uma opinião de fora sobre negócios que atuam no mesmo “benefício” podem expandir esta lista.

A próxima etapa é o momento em que o empreendedor se espanta. Com a ajuda de um bom especialista de contabilidade ou de finanças pode estimar o fluxo de caixa da empresa-alvo atual em uma planilha e projetá-la para o futuro (5 anos) e fazer o mesmo com o seu negócio. Em uma terceira planilha é hora de juntar as duas projeções, desconsiderando, inicialmente, as saídas de caixa que estariam duplicadas. Por exemplo, talvez não faça sentido pagar dois aluguéis ou ter duas secretárias. Em uma quarta planilha, as economias nas saídas de caixa se mantêm, mas é hora de vislumbrar as oportunidades de aumento das entradas de caixa. Um produto da sua empresa poderia ser vendido para a base de clientes da empresa-alvo, por exemplo? E em uma quinta planilha, além das reduções na saída e aumento nas entradas de caixa, é preciso vislumbrar riscos como processos trabalhistas e oportunidades como um planejamento fiscal e tributário.

Todos estes ganhos em processos de fusão e aquisição podem ser facilmente estimados se os empreendedores perceberem que não são donos do seu negócio, mas sim executivos com participação acionária com interesse em realizar a estratégia de negócio. Nestas situações, somar um mais um dá três (ou mais)! Por: Marcelo Hiroshi Nakagawa

 

Fonte: Santander Empreendedor