O laboratório de análises Hermes Pardini planeja fechar pelo menos mais duas aquisições neste ano. As conversas estão em andamento e devem levar a empresa a estrear em novas praças. Hoje, suas unidades estão em São Paulo, Rio e nas regiões metropolitanas de Goiânia e Belo Horizonte.

“Com aquisições relevantes, a gente pretende se aproximar de um faturamento de R$ 1 bilhão este ano”, disse ao Valor o presidente da empresa, Roberto Santoro.

Em 2013, a companhia da família Pardini, de Minas Gerais, faturou R$ 600 milhões e a receita de 2014 ficará em torno de R$ 750 milhões. Assim como o setor, o laboratório mineiro tem crescido de forma descolada do desempenho da economia. Isso reflete o maior consumo de serviços de saúde, tanto por parte mercado privado quanto do público, disse Santoro.

Hoje, comparando com as empresas que publicam seus dados, a empresa mineira é a terceira maior do país em faturamento, afirmou o executivo.

O Hermes Pardini cresceu nos últimos anos em parte em função de sua política de aquisições. “Como toda empresa em crescimento, além do crescimento orgânico esperado para os próximos anos temos a intenção de crescer por aquisições, fazendo aquisição de grandes marcas, principalmente, em grandes capitais.” E acrescentou: “Já existem conversas e em 2015 a gente espera pelo menos mais duas novas aquisições”. A exemplo das aquisições anteriores, o plano é usar uma mistura de capital próprio e financiamento bancário nas próximas compras.

Entre 2013 e 2014, o número de unidades aumentou em 30%, totalizando 106. A localização das novas aquisições são mantidas em sigilo. “Mas são preferencialmente em outros mercados” e não onde a empresa já está.

O Hermes Pardini opera em duas frentes: esse, de atendimento direto aos clientes finais, e na prestação de serviços a outros laboratórios menores, espalhados pelo país. Nessa frente, a empresa detém a liderança no país e disputa mercado principalmente com o grupo Dasa.

Santoro diz que a empresa fará o que está chamando de “um novo lançamento do serviço apoio aos laboratórios”. Isso passará por um esforço para aumentar a qualidade dos serviços, com mais precisão, melhor logística, melhor relacionamento com laboratórios. “Fizemos investimentos em novos processos de atendimento, em ‘contact center’, em logística, em fluxos internos de atendimento, investimentos que vão ser materializados em 2015.” No ano passado, a empresa investiu R$ 50 milhões, não só nesse movimento, mas também na abertura de unidades de TI.

Em 2011, os Pardini venderam 30% de seu negócio para o fundo Gávea. Uma parcela dos R$ 300 milhões usados na operação veio do fundo soberano de Abu Dhabi, o Abu Dhabi Investment Authority (Adia), maior fundo soberano do Oriente Médio.

No ano passado, o Gávea negociou por meses a aquisição do Laboratório Fleury. A transação, uma vez realizada, envolveria o fechamento de capital do Fleury e a fusão com o Pardini. Mas a família do empresário mineiro achou que o valor que sua empresa fora avaliada, cerca de R$ 2 bilhões, estava baixo. As negociações entre o Gávea e o Fleury naufragaram oficialmente no fim do ano.

Santoro não quis se alongar muito ao mencionar o assunto. “Existiu uma intenção e isso foi conduzido pela Gávea e nós não temos informações sobre nenhum tipo de relacionamento com outros laboratórios.”

Fonte: Valor Econômico