A Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (ABVCAP) prevê um volume maior de investimento pelas empresas do setor neste ano, em relação a 2014. Segundo o presidente da entidade, Fernando Borges, em 2014, havia um grau maior de incertezas no país devido à disputa presidencial.

“Foi um ano de muitas incertezas. Havia três alternativas políticas. Os investidores foram mais cautelosos. Neste ano, do ponto de vista macroeconômico, piorou. É um momento político complicado. Mas, do ponto de vista de investimento, estamos em um cenário diferente de 2014, com muitos negócios na rua”, afirmou o executivo, durante congresso anual da ABVCAP.

De acordo com levantamento da ABVCAP com a KPMG, os investimentos realizados por fundos de private equity e venture capital totalizaram R$ 13,6 bilhões no ano passado. O valor foi 18,56% menor que o registrado em 2013.

Christopher Meyn, sócio da Gávea Investimentos, concordou com a opinião de Borges. “Cada empreendedor está tentando e realmente está conseguindo ter uma visão, pelos menos de curto e médio prazos, um pouco mais clara hoje. Então tem mais negócio começando a acontecer agora, e não é porque está mais barato, mas porque está mais claro.”

Ele contou que a gestora anunciará em um mês o primeiro investimento do novo fundo gerido pela empresa, que captou US$ 1,1 bilhão no fim do ano passado. O investimento será feito em uma empresa do setor financeiro que atua em serviços na área de crédito.

Sem revelar mais detalhes do negócio, Meyn contou que normalmente os investimentos feitos pelos fundos geridos pela Gávea ficam entre 5% e 10% do valor total do fundo. Depois, ele disse que o valor médio dos investimentos é de R$ 60 milhões a R$ 150 milhões.

Segundo o vice-presidente da ABVCAP, Clovis Meurer, os reflexos da operação Lava-Jato, da Polícia Federal, para as grandes construtoras, pode abrir espaço para fundos de private equity no setor de infraestrutura. “O maior impacto [da Lava-Jato para o setor] é a oportunidade de negócios. Se antes as grandes construtoras faziam investimentos em determinados setores, por exemplo infraestrutura, é possível que, em elas não continuando a fazer e isso dê margem para que fundos de private equity possam fazer os negócios.”

Pelo lado das captações, porém, Borges disse prever que o volume a ser levantado neste ano pode ser menor que o obtido em 2014. “Como ano passado foi um ano bom de captação, e continuamos muito seletivos, imagino que este ano a captação seja menor.”

A entidade não divulga dados de captação, mas anunciou que o volume disponível para investimentos dos fundos no fim de 2014 totalizou R$ 36,8 bilhões. Esse número é 35,1% superior ao apurado em igual período do ano passado.

Fonte: Valor Econômico