Em uma operação que marca o lançamento oficial do Projeto Puma, que compreende a construção de uma fábrica de celulose com investimento industrial de R$ 5,8 bilhões, a Klabin atraiu dois investidores relevantes. Como parte do financiamento do projeto, a companhia vai emitir R$ 1,7 bilhão em debêntures mandatoriamente conversíveis em ações, com garantia de subscrição de até R$ 1,3 bilhão por um consórcio formado pelo Temasek, fundo soberano de Cingapura, e pela HS Investimentos, do grupo Ligna (empresários Helio e Davi Seibel), que é co-controlador da Duratex, dono da Leo Madeiras e sócio da Leroy Merlin.

De acordo com o diretor-geral da Klabin, Fabio Schvartsman, o montante total que será subscrito pelo consórcio vai depender do exercício do direito de subscrição dos atuais acionistas. Segundo ele, os R$ 400 milhões remanescentes estão comprometidos com outros investidores. “A operação [que representa 13% do capital da Klabin] está substancialmente subscrita”, afirmou o executivo. “O Projeto Puma está oficialmente lançado”, destacou o executivo.

O projeto compreende a construção de uma nova fábrica de celulose, no município paranaense de Ortigueira, com capacidade para 1,5 milhão de toneladas por ano. Nessa unidade, a Klabin produzirá tanto fibra curta quanto fibra longa, que será convertida em outro tipo de celulose, chamada fluff e usada na fabricação de fraldas descartáveis e absorventes.

Além do financiamento a partir da colocação de debêntures mandatoriamente conversíveis, a companhia já conta com uma linha enquadrada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de até R$ 4 bilhões e outros US$ 300 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Valor informou, há algumas semanas, que o fundo Temasek estava entre os potenciais investidores do projeto, que representa o maior investimento da história da Klabin.

Segundo Schvartsman, a alavancagem financeira da companhia, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, chegará a no máximo quatro vezes no pico da execução do projeto. Hoje, esse índice está em torno de duas vezes. “Aprovamos um aumento de capital relevante para conseguir executar esse projeto da maneira mais segura possível”, disse.

A operação aprovada ontem pelo conselho de administração prevê a emissão de 27,2 milhões de debêntures, cada uma equivalente a uma unit – formada por uma ação ordinária e quatro preferenciais. No acordo, cada pacote de ações é avaliado em R$ 62,50. Os títulos vencerão em cinco anos e serão remunerados por uma taxa de 8% ao ano, atualizada pela variação do dólar Ptax. Poderá ocorrer a colocação parcial das debêntures, desde que seja subscrito o valor mínimo de R$ 1,65 bilhão.

O aumento de capital de R$ 1,7 bilhão (com a emissão de debêntures), parte da reestruturação societária da fabricante de celulose, representará fatia de 13% de seu capital, informou a empresa.

Já a conversão dos títulos em ações ocorrerá, no máximo, até janeiro de 2019, data de vencimento. Caso o cronograma de implantação da fábrica seja cumprido conforme o planejado, a conversão pode ocorrer em até um ano antes.

Em assembleia realizada ontem à tarde, os acionistas da Klabin aprovaram a conversão das ações em units e a adesão ao Nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa.

As ações da companhia fecharam em alta de 6,74%, a R$ 12,51, na maior valorização do Ibovespa.

Segundo Schvartsman, com a aprovação do lançamento de debêntures nesta quinta-feira, a data de liquidação financeira da operação deve ocorrer em 6 de janeiro. “Nesse dia, o valor entra em caixa”, afirmou.

A partir de agora, a companhia vai avançar nas negociações com fornecedores e o início de operação da nova fábrica está previsto para março de 2016. “A execução continua, a partir de agora de maneira mais rápida e decisiva”.

Fonte: Valor Econômico