O mercado de fusões e aquisições mais movimentado dos últimos anos acelerou ainda mais esta semana, quando empresas fortalecidas por ações em alta anunciaram mais de US$ 100 bilhões em compras de rivais.

Um par de transações monumentais empurrou o mercado global de fusões e aquisições acima da marca de US$ 3 trilhões no acumulado do ano, um sinal de que a onda de compras continua forte apesar da volatilidade recente do mercado, da regulamentação mais rígida e do colapso de algumas tentativas de fusão. No maior negócio anunciado este ano, a Actavis PLC concordou em comprar a Allergan Inc., fabricante do Botox, por US$ 66 bilhões, e a prestadora de serviços de petróleo Halliburton Co. selou a compra da rival Baker Hughes Inc., por US$ 34,6 bilhões.

O volume das transações anunciadas globalmente até agora neste ano, de US$ 3,1 trilhões, já supera o registrado em qualquer ano completo desde 2007, segundo a firma de dados Dealogic.

Negociadores de fusões e aquisições apontam para uma série de fatores que vêm estimulando as operações, inclusive crédito barato e a alta das ações — ambos impulsionados pelas políticas de afrouxamento monetário do Federal Reserve, nos Estados Unidos, e de outros bancos centrais em todo o mundo que lutam contra o fraco crescimento econômico.

O aumento da atividade de compras é uma boa notícia para os bancos de investimento e escritórios de advocacia que assessoram as empresas nas transações, muitas vezes cobrando comissões que alcançam dezenas de milhões de dólares.

Geralmente, os bancos recebem uma percentagem do volume total do acordo. Assim, quanto maior o negócio, maior a comissão.

Em 2014, a receita com assessoria a fusões gerada mundialmente pelos bancos atingiu US$ 17,7 bilhões, 14% a mais que no mesmo período do ano passado, de acordo com a Dealogic.

As ações em alta dão aos executivos a confiança necessária para fazer compras ousadas, especialmente quando os acordos são pagos, ao menos em parte, com ações do comprador, como foi o caso da Actavis e da Halliburton.

 

As aquisições são particularmente atraentes hoje porque elas propiciam uma redução nos custos em meio à desaceleração econômica.

Os dois grandes negócios anunciados na segunda-feira devem gerar em torno de US$ 2 bilhões em reduções de custos graças a sinergias.

“Os líderes executivos estão dizendo agora: ‘Se posso adquirir essa empresa e posso usar minhas ações na compra, farei um bom negócio”, diz Joseph Perella, um experiente executivo do setor em Wall Street. “E a empresa vendedora pensa: ‘Posso conseguir um bom preço e nenhuma árvore cresce para sempre.’”

Perella, um dos fundadores da consultoria de fusões Perella Weinberg Partners, prevê que a atual atividade de acordos vai durar pelo menos mais 6 a 12 meses. Depois disso, uma série de fatores, incluindo a aproximação da eleição presidencial de 2016 nos EUA, tornará mais difícil fazer previsões acertadas, diz ele.

O mercado de fusões e aquisições vive um boom. A atividade global deste ano já representa um salto de 32% em relação ao total do ano passado, segundo a Dealogic. Mas demorou um bom tempo para que os acordos voltassem, já que a crise financeira colocou um freio nas ambições de muitas empresas. Só este ano elas recuperaram a confiança para aproveitar os juros baixos e um mercado de capitais favorável e se expandir por meio de fusões. Muitas apontam para a recepção calorosa dada pelos investidores a muitos anúncios de acordos, incluindo aqueles que detêm ações na empresa compradora, um grupo tradicionalmente mais cético sobre as transações.

Investidores ativistas também vêm atuando como catalisadores de fusões e aquisições, exigindo que algumas empresas se coloquem à venda.

Em abril, William Ackman, da Pershing Square Capital Management LP, divulgou que havia acumulado uma participação de 9,7% na Allergan. Em seguida, a Pershing Square se juntou à farmacêutica canadense Valeant Pharmaceuticals International Inc. numa tentativa de adquirir a Allergan. Seus esforços parecem ter fracassado com o acordo da Allergan para ser vendida para a Actavis.

Fonte: The Wall Street Journal