Para se manter em crescimento com sustentabilidade, toda empresa precisa de recursos. A fim de captá-los, sociedades limitadas, anônimas de capital aberto ou fechado utilizam diversas estratégias, sendo uma delas a emissão de debêntures.

O investimento em debêntures é comum no mercado financeiro, entretanto, seu entendimento não é tão simples. Neste artigo, você vai conhecer o essencial sobre estes títulos!

O que são as debêntures

A debênture é um título de dívida emitido por empresas privadas. O investimento é de renda fixa que consiste no empréstimo para a empresa emissora. Neste caso, o investidor se torna um credor e sua remuneração é referente a juros fixos ou variáveis sobre o valor aplicado.

Esta é uma alternativa para uma empresa adquirir capital de terceiros e garantir que haja recurso em caixa, promover seu crescimento ou investir em determinada atividade.

Existem duas classes de debêntures:

Debêntures simples: Este tipo de título não pode ser convertido em ações e é utilizado com o propósito de financiar a empresa.

Debêntures conversíveis: Ao final de um período estipulado, as debêntures conversíveis podem ser convertidas em ações da própria empresa que as emitiram.

Estes títulos diferem por sua forma, podendo ser:

Debêntures nominativas: São emitidos certificados em nome do investidor. As possíveis transferências do título são registradas em arquivo próprio da empresa emissora.

Debêntures escriturais: Este tipo de debênture também é registrado e controlado pela empresa emissora. Entretanto, não há emissão de certificado, ficando o título custodiado por uma instituição financeira, em conta nominal ao investidor.

Quanto à maneira com que a remuneração ao investidor é realizada, ou seja, como os juros são pagos, é possível obter duas variações:

Com Cupom: Os rendimentos e amortizações, quando previsto previamente, podem ser pagos de forma antecipada à data de vencimento do título.

Sem Cupom: Os rendimentos e amortizações ocorrem rigorosamente conforme a data de vencimento do título.

Rendimento das debêntures

Com relação à regra que determina o rendimento das debêntures, estes podem ser pré-fixados, pós-fixados ou híbridos.

Pré-fixados: Neste caso, a rentabilidade do título é acordada no momento da sua emissão. O rendimento será proveniente de uma taxa de juros acordada previamente e é possível saber a remuneração a ser recebida ao término do período já no momento da aquisição.

Pós-fixados: A rentabilidade do título está associada a um indexador, como o IPCA ou CDI. Como não é possível determinar previamente como estas variáveis irão progredir no mercado, o investidor terá conhecimento do rendimento no pagamento dos juros ou resgate do seu título.

Híbridos: O rendimento híbrido consiste na união do pré-fixado e do pós-fixado. O investidor recebe sua remuneração a partir de uma taxa de juros combinada, acrescida de um percentual de um indexador. Logo, a rentabilidade também sofre oscilação e, como no rendimento pós-fixado, só é possível saber o rendimento no pagamento dos juros ou resgate do título.

Para o investidor, os ganhos financeiros auferidos com investimentos nas debêntures, podem provir do pagamento de juros ou da venda vantajosa do mesmo no mercado secundário. Em ambos os casos, os rendimentos serão tributados, para efeito de Imposto de Renda, conforme tabela regressiva.

A exceção à tributação mencionada acima, ocorre apenas nas debêntures incentivadas, que por não incidir IR, se tornam competitivas com os demais produtos de Renda Fixa disponíveis no mercado.

Debêntures Incentivadas

As debêntures incentivadas são emitidas por empresas do setor de infraestrutura, as quais realizam empreendimentos como portos e estradas, e não sofrem tributação por imposto de renda. Isso valoriza o seu rendimento e é uma vantagem sobre as debêntures comuns. Entretanto, não se trata de uma regra: nem todas as debêntures incentivadas vão render mais do que as que sofrem tributação por imposto. É necessário estudar cautelosamente cada caso.

Prazo de investimento

Estes títulos são investimentos de médio a longo prazo e são estipulados no mínimo 2 anos, podendo chegar a até mais de uma década.

Logo, planejar com cautela e ficar sempre atento ao seu investimento é fundamental, para não ficar com seu capital alocado por um prazo maior do que o adequado para o seu perfil ou ter prejuízo ao vender o título na bolsa.

Risco de investir em debêntures

O maior risco das debêntures é o risco de crédito, ou seja, a empresa não conseguir honrar com suas obrigações ao investidor. É fundamental contar com a ajuda de especialistas, uma vez que estes títulos não possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito – FGC. Além disso, é importante ressaltar que quanto maiores os juros que a empresa está disposta a pagar pelo capital emprestado, maior o risco da operação.

Selecionamos outros riscos impactantes, aos quais você também deve ficar atento:

Risco cambial: Caso a atividade da empresa seja impactada pelo câmbio, como uma empresa exportadora de commodities, por exemplo, e ocorrer oscilação cambial no período, isso pode refletir no aumento do risco da operação.

Risco de Juros: Se a taxa de juros for alterada durante o período de validade da debênture, o investimento pode ser tornar menos interessante.

Vantagens e desvantagens de se investir em debêntures

Vantagens

Como se trata de um investimento em renda fixa, o investidor tem a previsão da remuneração e amortizações do título, no caso dos que possuem rendimento pré-fixado.

Comparada a outros produtos de renda fixa, a rentabilidade das debêntures pode ser atrativa.

Para a empresa emissora, as debêntures são uma alternativa aos financiamentos bancários para captar recursos, o que pode ser uma alternativa interessante, pois estes títulos de dívida podem ter um custo de captação menor.

É um título flexível que permite à empresa estruturar operações de médio a longo prazo, de acordo com suas necessidades e demandas. Além disso, é possível atribuir diversas características ao título, no momento da emissão, como termos de garantia, conversibilidade em ações, remuneração, repactuação.

As empresas emissoras têm vantagens devido aos pagamentos de juros serem deduzidos como despesas financeiras, e não dividendos, os quais não são apurados no resultado anual da empresa.

Desvantagens:

Não possui cobertura do Fundo de Garantia de crédito: Talvez este seja a maior desvantagem deste investimento, pois o investidor fica exposto a um risco maior na operação.

Prazos longos: Muitas debêntures têm prazos de vencimento muito longos, o que diminui a liquidez e aumenta o risco da operação.

Risco de mercado: Caso o investidor queira realizar o resgate antecipadamente e o mercado não esteja favorável no momento, pode-se recuperar menos capital do que o esperado.

Com este artigo, você pôde entender aspectos essenciais das debêntures. Caso tenha alguma dúvida, entre em contato conosco!

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