FIDC

A sigla FIDC significa Fundo de Investimento em Direitos Creditórios e consiste em investimentos de longo prazo. Os recursos são aplicados em recebíveis, como desconto de duplicatas, exportações, crédito consignado e aluguéis.

É uma modalidade em que os investidores se reúnem e aplicam seus recursos em um investimento em comum. No mínimo 50% do capital total deve ser aplicado em direitos creditórios e em títulos representativos destes direitos. Estes podem ser originários de operações nos segmentos financeiro, industrial, comercial, de prestação de serviços e de arrendamento mercantil.

O que são Direitos Creditórios e como funciona o FIDC?

Direitos creditórios são direitos provenientes dos créditos que uma empresa tem a receber, tais como parcelas de cartão de crédito. São dívidas convertidas em títulos, que podem ser vendidos a terceiros, por empresas securitizadoras.

Segue um exemplo de como este processo funciona na prática:

Suponha que você comprou um carro e irá pagá-lo em prestações, durante um ano. A concessionária tem o direito de receber o pagamento no prazo estipulado, entretanto, pode adiantar o recebimento. Como? Através da cessão de direitos creditórios.

Essa dívida é convertida por uma empresa securitizadora em um título (direito creditório), o qual é comprado por um investidor, mediante a uma taxa de desconto. Quando você efetuar o pagamento, este será direcionado ao investidor e o lucro será referente à porcentagem do valor que a concessionária abriu mão, ao vender o título. A transformação de uma dívida em direito creditório negociável é chamada de securitização.

O Fundo de Investimento em Direitos Creditórios é, portanto, um tipo de investimento aplicado em títulos de crédito, provenientes de contas a receber de uma ou mais empresas combinadas. Como sua remuneração é baseada em uma taxa definida e não em uma variável resultante do desempenho do fundo, o FIDC é considerado um investimento de Renda Fixa.  Este pode ser constituído de duas maneiras:

FIDC

Fundo aberto: Os investidores podem efetuar mais aplicações ou solicitar o resgate de suas cotas no momento em que desejar;

Fundo fechado: O resgate só pode ser feito depois de um prazo estipulado.

Na estruturação de um FIDC, encontram-se quatro principais participantes:

  • O Cedente: Empresa que gera direitos creditórios;
  • Estruturadores: Instituição Financeira;
  • Custodiante: Instituição financeira que proverá a custódia e controle dos recebíveis (securitizadora);
  • Administrador: Responsável legal do FIDC.

Tipos de cotas de Fundo de Direitos Creditórios

Um FIDC é constituído por 2 tipos de cotas, as quais influenciam de maneira direta na rentabilidade e no risco da operação. São estas:

Cota Sênior: É prioritária no recebimento do resgate dos investimentos. As cotas sênior possuem um objetivo de rentabilidade determinado previamente, assim que o contrato é assinado, comportando-se como título de renda fixa.

Cota Subordinada: Com relação ao momento de resgate ou a questões de amortização, a cota subordinada está abaixo da sênior. Os investidores desta cota recebem posteriormente e assumem maiores riscos de inadimplência dos títulos. Logo, você deve estar se perguntando qual a vantagem de obter uma cota subordinada. É simples entender:

Caso o fundo tenha uma rentabilidade maior que a prevista, os cotistas subordinados terão uma rentabilidade maior com relação aos cotistas seniores, os quais continuarão com a mesma taxa fixa de recebimento.

Qual a rentabilidade do FIDC?

FIDC

O FIDC é considerado um dos mais rentáveis entre os fundos de renda fixa, já que é possível encontrar fundos cuja rentabilidade seja superior a 120% do CDI.

A sigla CDI significa Certificados de Depósito Interbancário e são títulos emitidos por instituições financeiras com a finalidade de transferir recursos entre instituições que possuem reservas de capital e instituição que necessitam repor o seu caixa.

Como já comentamos, o FIDC oferece a possibilidade de margens de lucro maiores às cotas subordinadas. Logo, dependendo do tamanho do investimento, possuir este tipo de cota não é uma desvantagem.

Prazos do FIDC

O prazo da aplicação no FIDC pode ser:

Determinado: É predefinido um prazo de vencimento, a partir do qual todas as cotas são resgatadas;

Indeterminado: Não existe um prazo para realizar o resgates das cotas e encerrar a aplicação. Nesta situação, ocorrem amortizações no valor das cotas.

Riscos associados ao FIDC

O FIDC apresenta riscos, como todo investimento. Os principais são:

Risco operacional e de fraude: O FIDC envolve diferentes instituições em sua administração. Existe, portanto, o risco de uma delas cometer algum erro operacional, com relação ao controle dos recebíveis, por exemplo. Este fato pode comprometer a rentabilidade ou segurança do fundo como um todo. É preciso conhecer bem o originador dos créditos, pois muitos problemas dos FIDCs são provocados por bancos e outras instituições financeiras.

Risco de Mercado: Os fatores de mercado influenciam na variação do preço e rentabilidade dos ativos do fundo. A exemplo disto, tem-se o aumento da inflação que altera o valor do resgate das cotas.

Risco de liquidez: Os ativos e cotas do FIDC podem não ter demanda suficiente. Desta forma, é necessário se atentar a negociação de cotas em mercado secundário e a datas de amortização.

Risco de Inadimplência: Há o risco de inadimplência ou atrasos nos pagamentos, o que implica em ganhos reduzidos ou até prejuízos.

Algumas dicas para se resguardar destes e outros riscos são:

  • Verificar a inadimplência do fundo;
  • Conhecer e acompanhar o trabalho dos integrantes do fundo;
  • Tentar detectar possíveis falhas no controle dos recebíveis;
  • Conhecer o emissor dos recebíveis.

Concluindo

Os FIDCs costumam apresentar rentabilidade elevada com relação às aplicações tradicionais de mercado, entretanto, estão associados a diversos riscos. Por isso, é interessante utilizá-los como diversificação de sua carteira de investimentos e não como investimento primário. Esteja sempre atento às classificações de risco e rentabilidade desta categoria de investimento, para analisar com clareza se é adequado alocar seu capital em um FIDC.

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