O que é a DRE?

  • 06 de setembro, 2018
DRE

Um dos relatórios financeiros mais importantes que uma empresa deve elaborar é a DRE: Demonstração do Resultado do Exercício. A vida financeira do negócio é facilmente demonstrada e visualizada com a correta elaboração da mesma. A DRE é um utensílio fundamental para gerir e compreender a saúde financeira e operação da sua empresa.

Continue lendo o artigo para entender o que é a DRE, como ela se estrutura e qual a sua importância.

 

O que é a DRE?

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um relatório contábil elaborado juntamente com o Balanço Patrimonial, que descreve, de forma vertical e resumida, as operações financeiras de uma empresa em determinado período de tempo e apresenta o resultado líquido, que pode ser lucro ou prejuízo. Tal resultado é gerado pelo confronto das receitas, custos e despesas de uma empresa. No Brasil, a DRE deve ser elaborada conforme o princípio contábil do regime de competência, ou seja, receitas e gastos devem ser incluídos na operação do resultado na data em que foram realizados.

O objetivo da DRE é resumir todas as operações realizadas pela empresa no período analisado, permitindo obter uma síntese do desempenho das atividades da empresa. Tal relatório contribui então com o planejamento estratégico e com o processo de tomada de decisão ao entregar uma visão precisa e realista da empresa.

De acordo com a legislação, todas as empresas devem elaborar anualmente a DRE, exceto Microempreendedores Individuais, porém, por ser um relatório fundamental para a gestão, muitas empresas o elaboram mensalmente para fins administrativos e trimestralmente conforme obrigações fiscais.

 

Estrutura da DRE

A estrutura da DRE é definida pela Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/1976), artigo 187 e, de acordo com esta, deverá conter:

– A receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;

– A receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos, e o lucro bruto;

– As despesas com as vendas, as despesas financeiras deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

– O lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;

– O resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;

– As participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa;

– O lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

Além disso, na determinação do resultado do exercício serão computados:

– As receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda;

– Os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.

Assim, o modelo ideal seria:

 

RECEITA OPERACIONAL BRUTADRE

Venda de Produtos

Venda de Mercadorias

Prestação de Serviços

(-) DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA

Devoluções de Vendas

Abatimentos

Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas

= RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA

(-) CUSTOS DAS VENDAS

Custos dos Produtos Vendidos

Custo das Mercadorias

Custos dos Serviços Prestados

= RESULTADO OPERACIONAL BRUTO

(-) DESPESAS OPERACIONAIS

Despesas com vendas

Despesas Administrativas

(-) DESPESAS FINANCEIRAS LÍQUIDAS

Despesas Financeiras

(-) Receitas Financeiras

Variações Monetárias e Cambiais Passivas

(-) Variações Monetárias e Cambiais Ativas

OUTRAS RECEITAS E DESPESAS

Resultado da Equivalência Patrimonial

Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

(-) Custo da Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante

= RESULTADO OPERACIONAL ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO

(-) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre o Lucro

= LUCRO LÍQUIDO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES

(-) Debêntures, Empregados, Participações de Administradores, Partes Beneficiárias, Fundos de Assistência e Previdência para Empregados

(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

 

Como analisar a DREDRE

É possível analisar a DRE principalmente de duas maneiras complementares:

  • Análise vertical

Na análise vertical, calcula-se o percentual que cada valor individualmente representa do faturamento bruto ou impacta o mesmo, permitindo analisar o que está diminuindo ou aumentando o resultado da empresa. Além disso, o gestor consegue acompanhar tais percentuais para monitorá-los nos meses subsequentes e assim poder tomar decisões para mantê-los ou modificá-los.

  • Análise horizontal

Já a análise horizontal acompanha a variação de um mesmo valor de receita, despesa ou custo ao longo de dois ou mais períodos, o que permite monitorar as alterações.

 

Ao analisar a DRE é possível obter um grande número de informações como, por exemplo, a evolução das receitas de vendas e da margem de contribuição, a incidência de impostos, a composição dos custos e despesas e seus impactos sobre a receita, além de ser possível gerar projeções para o futuro com base nas tendências observadas comparando diferentes períodos.

 

Importância da DRE

A DRE é importante para a empresa em si, como também para agentes externos. Em relação a própria empresa, a DRE é fundamental para:

  • Analisar o desempenho e a saúde financeira da empresa;
  • Verificar a evolução e composição das receitas e gastos;
  • Refletir sobre a necessidade de reavaliar os custos e despesas de produção;
  • Gerar informações que levam a uma visão mais realista do negócio;
  • Ponderar se existe viabilidade econômica para determinados investimentos;
  • Auxiliar na tomada de decisões mais seguras e assertivas;
  • Detalhar onde o dinheiro está sendo gasto;
  • Entender se o negócio é lucrativo ou não, e quais áreas precisam de melhorias;
  • Gerir estrategicamente o negócio com base na boa governança;
  • Prestar contas para Stakeholders;
  • Apontar o Ponto de Equilíbrio;
  • Possibilitar a correção de falhas administrativas e financeiras para alcançar melhores resultados.

Além disso, é utilizado por agentes externos à empresa (não apenas para fins legais e fiscais):

  • É documento obrigatório para Sociedades Anônimas;
  • Governo e órgãos fiscalizadores verificam se os tributos foram calculados e pagos corretamente;
  • Bancos podem avaliar a situação do negócio antes de conceder crédito ou renegociações;
  • Investidores interessados no negócio avaliam a situação financeira da empresa antes da análise do investimento.

 

 

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