Depreciação: Como calcular a depreciação de bens do ativo imobilizado 

avaliando dados de depreciação

Para entender como calcular a depreciação do ativo imobilizado, é importante saber antes o que ele significa. As avaliações financeiras envolvem diversos conceitos e neste caso não é diferente.

Então, vamos destrinchar as partes desse processo para entender como calcular a depreciação de bens do ativo imobilizado.

O que é ativo imobilizado?

Muitos ainda têm dúvidas sobre o que é ativo imobilizado. O ativo imobilizado é um bem de uma empresa que tem como função a manutenção das suas atividades ou é exercida com essa finalidade, sendo utilizado por mais de um exercício.

Quando tem valor inferior a R$1.200 ou prazo de vida útil inferior a um ano, a empresa é quem decide sobre sua imobilização. Essa não é uma atividade obrigatória, por isso, vai depender da necessidade ou não da empresa controlar o bem.

Exemplos de ativo imobilizado

Podemos citar como exemplos de ativo imobilizado e que sofrem depreciação, itens como:

  • mobiliário;
  • máquinas;
  • equipamentos;
  • prédios;
  • edificações;
  • benfeitorias em imóveis de terceiros, dentre outros.

Por outro lado, não se encaixam como exemplos de ativo imobilizado:

  • imóveis e terrenos mantidos por uma entidade para obter renda;
  • ativos biológicos;
  • ativos relativos à exploração e avaliação de recursos minerais.

Leia também: Classificação de ativos de uma empresa.

O que é depreciação?

calculando depreciação A depreciação está relacionada com a perda de valor de um bem decorrente do seu uso, da obsolescência técnica ou comercial e do desgaste normal.

É importante frisar que, mesmo os ativos tendo uma gestão da manutenção periódica, ainda assim devem ser depreciados.

Assim como na atividade de imobilização de um ativo, e para fins fiscais, um bem só pode ser depreciado se tiver vida útil acima de um ano ou valor mínimo de R $1.200.

Caso o valor do bem seja inferior a R$1.200, este poderá ser lançado direto como despesa.

Para que serve a taxa de depreciação?

A taxa de depreciação serve para registrar o desgaste efetivo dos bens de uma empresa, seja pelo uso, pela ação do tempo, perda de utilidade ou simplesmente pela obsolescência.

Para empresas que são tributadas pelo Lucro Real, o cálculo e reconhecimento da depreciação são obrigatórios.

Ao realizar o reconhecimento da depreciação dos bens, a sua empresa poderá se beneficiar, uma vez que a depreciação é contabilizada como uma despesa, reduzindo o lucro contábil e, por consequência, o valor de IR e CSLL.

Início e fim da depreciação

O ativo imobilizado começa a ser depreciado quando ele está no local, instalado e em condição de uso de acordo com o planejado pela empresa. Termina quando o ativo é classificado como mantido para venda ou quando ele é baixado.

Dessa forma, o valor dessa perda é reconhecido pela empresa em sua contabilidade a cada período.

Quando a depreciação está relacionada a uma atividade de produção, o valor da perda é contabilizado como custo; caso contrário, será contabilizado como despesa.

Bens depreciáveis e não depreciáveis

calculando taxa de depreciação De acordo com o Pronunciamento Técnico 27 (CPC 27), cada componente de um item do ativo imobilizado com custo significativo em relação ao custo total do item deve ser depreciado separadamente.

Caso existam componentes de um item com mesma vida útil e método de depreciação, eles podem ser agrupados no mesmo no cálculo.

Isso se dá pelo fato de que os componentes de um equipamento sempre têm a mesma vida útil da parte principal.

No início do texto foi possível diferenciar os ativos imobilizados dos não imobilizados. Agora, serão definidos alguns bens que são depreciáveis e outros que não são depreciáveis.

Bens depreciáveis:

  1. Edifícios e construções;
  2. Bens móveis e imóveis utilizados no desempenho das atividades de contabilidade, no estabelecimento da administração e nas atividades operacionais instalados em estabelecimento da empresa;
  3. Máquinas e equipamentos utilizados no desempenho das atividades de contabilidade, no estabelecimento da administração e nas atividades operacionais instalados em estabelecimento da empresa;
  4. Bens móveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos ou processos;
  5. Bens móveis e imóveis próprios, locados pela pessoa jurídica que tenha a locação como objeto de sua atividade;
  6. Veículos do tipo caminhão, caminhonete de cabine simples ou utilitários utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda, de matéria-prima, de produtos intermediários e de embalagens, aplicados a produção;
  7. Os veículos do tipo caminhão, caminhonete de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizadas pelos cobradores, compradores e vendedores, nas atividades de cobrança, compra e venda, bem como os utilizados nas entregas de mercadorias;
  8. Os veículos utilizados no transporte coletivo de empregados;
  9. Os veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel pela pessoa jurídica que tenha objeto essa espécie de atividade.

Bens não depreciáveis:

  1. Terrenos;
  2. Prédio ou construção não alugado e nem utilizado na operação da empresa;
  3. Bens que aumentam de valor com o tempo, como obras de arte ou antiguidades;
  4. Bens para os quais sejam registrados quotas de exaustão, como produtos de exploração de minas e florestas;
  5. Bens com vida útil inferior a um ano;
  6. Bens com valor inferior a R $1.200.

Quais as causas que podem provocar a depreciação?

De modo geral, um dos fatores mais comuns que levam à depreciação dos bens é o próprio tempo e uso dos equipamentos: na medida que o tempo passa, e quanto mais os equipamentos são usados, é comum que eles se depreciem.

Um exemplo claro são máquinas e veículos em geral: na medida em que esses itens são utilizados, mais desgaste vai sendo observado.

Em um carro, por exemplo, quanto mais ele é usado, mais seu motor vai se desgastando, bem como a sua pintura e outros componentes necessários para seu bom funcionamento.

Essa mesma lógica se aplica a diversos bens, móveis e imóveis, que se depreciam com o uso e, com isso, acabam perdendo, de pouco a pouco, seu valor.

No caso de máquinas e automóveis, por exemplo, a depreciação é considerada linear e simples, e por isso o cálculo é feito com base em uma consultoria de gestão patrimonial e administração de ativos patrimoniais.

Tipos de depreciação

De acordo com os conceitos de gestão de patrimônios, existem três tipos de depreciação que uma máquina ou equipamento de produção pode sofrer:

  • depreciação normal: quando os equipamentos são utilizados durante um turno de oito horas diárias;
  • depreciação acelerada: quando um equipamento é utilizado por dois turnos de oito horas diárias;
  • depreciação máxima: quando um equipamento é utilizado durante todo o dia, por 24h, em três turnos de oito horas diárias.

Como calcular a depreciação de bens do ativo imobilizado

analisando depreciação Como já dito, quando a depreciação está relacionada a uma atividade de produção, o valor da perda é contabilizado como custo, caso contrário será contabilizado como despesa.

Essa despesa relacionada a cada período deve ser reconhecida no resultado, a menos que seja incluída no valor contábil de outro ativo.

O lançamento contábil é realizado da seguinte forma:

Quando a depreciação é relacionada ao custo, esta faz parte do valor do produto/serviço e é incorporado no preço de venda deste. Já na depreciação relacionada à despesa, o valor será alocado na DRE.

Métodos de cálculo da depreciação

Existem diversos métodos para se calcular o valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil.

Cada empresa decide qual método utilizar, ou seja, ela irá selecionar o método que melhor reflete o padrão de consumo do bem e o que trouxer mais benefícios contábeis para ela.

De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 27, o método escolhido deverá ser aplicado consistentemente entre os períodos, a não ser que tenha alguma alteração nesse padrão, como a alteração da vida útil econômica do bem, por exemplo, e este deve ser revisado pelo menos ao final de cada exercício.

Contabilmente, podemos destacar três métodos de depreciação: o método da linha reta, o método dos saldos decrescentes e o método de unidades produzidas. Cada um deles será explicado a seguir.

Método da linha reta

Este é um método usado universalmente e com maior frequência devido à simplicidade do seu cálculo.

A depreciação encontrada resulta em despesa constante durante a vida útil do ativo, exceto quando seu valor residual se altera. Assim, a depreciação está relacionada exclusivamente ao tempo, e não ao uso do ativo em questão.

Neste método divide-se o custo de aquisição, deduzido do valor residual, pelo número de períodos correspondente à sua vida útil.

Quota de Depreciação Periódica (anual ou mensal) = Custo – Valor Residual (eventual) / nº de períodos de vida útil estimada (anos ou meses)

Método dos saldos decrescentes

Este método dos saldos decrescentes resulta em despesa decrescente durante a vida útil.

Assim, no início da vida útil de um ativo, o valor da depreciação é maior do que ao final, visto que ocorre gradualmente a redução do valor da depreciação na medida em que o bem envelhece.

A taxa percentual utilizada para calcular a depreciação é constante durante os períodos.

Como o valor líquido contabilístico não chega a zero por esse método, ao final da vida útil, a empresa pode mudar a forma de cálculo para o método da linha reta.

Método de unidades produzidas

Este método resulta em despesa baseada no uso ou produção esperados pelo ativo imobilizado.

Para determinar o valor da depreciação utiliza-se a seguinte fórmula:

Depreciação = Valor Original do Bem x Taxa de depreciação

E para encontrar a taxa de depreciação utiliza-se a seguinte fórmula:

Taxa de depreciação = Número de unidades produzidas no período / Número de unidades estimadas a serem produzidas durante a vida útil do bem.

Qual o método de depreciação aceito pela Receita Federal?

analisando-relatórios de depreciação Atualmente, são três os métodos de cálculo aceitos pela Receita Federal: método linear (cotas constantes), método da soma dos dígitos e o método das unidades produzidas.

Método linear

O método linear considera aquelas máquinas que possuem sua depreciação simples, pelo tempo de vida útil.

Por exemplo, se um equipamento possui valor de R$ 900.000,00 e uma vida útil de 5 anos, temos:

900.000,00/5 = 180.000,00 por ano.

Dessa forma, R $180.000,00 é o valor que deve ser debitado na conta de despesa de depreciação ou nos custos com depreciação a partir do primeiro ano de uso do equipamento.

Por se tratar de uma depreciação linear, os valores serão constantes durante todo o período de utilização daquele equipamento.

Método da soma dos dígitos

No método da soma dos dígitos, será necessário estipular quais são as taxas variáveis durante o período de vida útil do bem que está sendo analisado.

Entender essas taxas variáveis irá ajudar a identificar o denominador da fração que irá determinar o valor da depreciação a cada período.

Dessa forma, podemos somar o número dos anos úteis que a máquina possui.

Seguindo nosso exemplo do maquinário com 5 anos úteis, temos: 1+2+3+4+5 = 15 anos.

O número 15 será o denominador da fração da soma dos dígitos, para encontrarmos a taxa de depreciação a ser aplicada.

Vamos continuar com o exemplo da máquina de R$900.000,00 e 5 anos de vida útil: ao aplicar o método da soma com produção decrescente, temos:

  • ano 01: 5/15 x 900.000,00 = 300.000,00
  • ano 02: 4/15 x 900.000,00 = 240.000,00
  • ano 03: 3/15 x 900.000,00 = 180.000,00
  • ano 04: 2/15 x 900.000,00 = 120.000,00
  • ano 05: 1/15 x 900.000,00 = 60.000,00

Método das unidades produzidas

Com o método das unidades produzidas, a taxa de depreciação é prevista considerando o número de unidades que foram produzidas dentro do período analisado.

Por exemplo: se um maquinário tem a possibilidade de produzir 10.000 peças por mês, mas ao fim do primeiro mês produziu apenas 780 peças, a taxa de depreciação é calculada em regra de três, da seguinte forma:

10.000 unidades = 100%

780 unidades = x

X = 780*100/10000

X= 7,8%

Como calcular a depreciação de uma máquina ou equipamento?

calculando depreciaçãoPara calcular a depreciação de uma máquina, precisamos avaliar a vida útil desse equipamento e qual é a sua taxa mensal ou anual de depreciação.

Dito isso, é hora de considerarmos dois tipos de depreciação que são comumente aplicados às máquinas: fiscal e gerencial.

  • Na depreciação fiscal, ou depreciação contábil, o valor do bem é calculado para ser reduzido até zero após o término de sua vida útil;
  • Na depreciação gerencial, o valor não precisa ser, necessariamente, zero ao fim do processo. Ele pode ser calculado em um intervalo menor que a vida útil do equipamento.

Tanto para máquinas quanto para equipamentos, é possível usar a tabela de depreciação da Receita Federal. Através dela, é possível identificar as taxas anuais de depreciação dos bens de uma empresa.

É importante pontuar, no entanto, que a tabela da Receita Federal não é obrigatória para o cálculo, mas ela pode auxiliar para facilitar o processo.

Cálculo de depreciação fiscal

É importante lembrar que a depreciação e a perda do valor de máquinas e equipamentos está diretamente relacionada à forma com que esses materiais são utilizados no dia a dia, bem como a execução – ou não – de manutenções preventivas.

Para fazer o cálculo por depreciação fiscal, vamos manter o exemplo de máquina de valor R$900.000,00, 10 anos de vida útil e depreciação anual de 10%.

Nesse cálculo, vamos dividir o valor total da máquina pela vida útil em meses:

R$900.000,00 / 120 meses (10 anos) = R$7.500,00 (depreciação mensal)

Seguindo essa lógica, ao fim dos 10 anos, o valor da máquina estará zerado.

Cálculo de depreciação gerencial

No cálculo da depreciação gerencial, é importante considerar o tempo de uso daquele equipamento.

Supondo que iremos vender o maquinário após três anos de uso, pelo valor de R$650.000,00.

Nesse exemplo, a diferença no valor da máquina, do momento que compramos ao momento da venda foi de R$250.000,00.

Nesse modelo, vamos dividir a diferença de valor pelos meses de uso do equipamento:

valor inicial (900.000,00) – valor de venda (650.000,00) = 250.000,00

250.000 / 36 meses (três anos) = R$6.944,45 (depreciação mensal)

Nesse modelo, vemos que a depreciação mensal seria menor do que se mantivéssemos a máquina em pleno funcionamento durante toda a sua vida útil.

Dessa forma, em alguns casos, a venda do equipamento após um certo período pode ser vantajosa.

É importante que esse cálculo seja feito para identificar oportunidades: quando vale a pena usar a máquina em todo o seu potencial e em quais casos faz mais sentido vender o equipamento após um determinado período de uso.

Conclusão

calculando depreciação Por meio do cálculo de depreciação, é possível que as empresas tenham conhecimento do valor real do total dos seus ativos imobilizados, aumentando o controle patrimonial da organização.

Isso ocorre quando o cálculo está de acordo com a vida útil econômica do mesmo.

Além disso, o valor encontrado pode ser reduzido no Imposto de Renda e na Contribuição Social.

Assim, sob uma ótica tributária, a depreciação é vista como um meio de reduzir valores de impostos e cobranças.

Por fim, os cálculos podem ajudar no controle e na administração das atividades de revisão e manutenção do ativo imobilizado de uma empresa.

Agora que você já sabe o que é ativo imobilizado e entendeu como calcular sua depreciação, vamos ajudar a deixar sua empresa ainda mais organizada.

Para isso, baixe nossa Planilha de Controle Patrimonial gratuita. Com ela, você vai realizar a gestão do seu ativo imobilizado de forma prática em três passos simples.

Além disso, que tal aprender mais sobre a depreciação de equipamentos? Confira nosso artigo Taxa de depreciação de máquinas e equipamentos: saiba como calcular.