Operações de Arrendamento Mercantil

Visando a convergência das normas contábeis brasileiras com as normas internacionais (IASB), o Comitê de Pronunciamentos Contábeis revisou a norma referente aos contratos de arrendamento mercantil.

Sendo assim, foi aprovado e divulgado no final de 2017, o novo Pronunciamento Técnico CPC 06 (R2) – Operações de Arrendamento Mercantil, relacionado ao IFRS 16 – Leases emitido em janeiro de 2016.

A revisão do Pronunciamento Técnico CPC 06 (R2) – Operações de Arrendamento Mercantil tem como objetivo principal a atualização das normas contábeis aplicáveis a tais operações. No Brasil a norma só entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019. É muito importante, para o seu negócio, saber quais mudanças foram feitas.

 

Principais alterações no CPC 06 (R2) e suas consequências

A revisão do CPC 06 trouxe alterações significativas principalmente relacionadas aos requerimentos de reconhecimento de ativos e passivos. Resultando, assim, em impactos contábeis, principalmente nas companhias arrendatárias.

Com a nova regra, as arrendatárias deverão reconhecer os pagamentos a serem realizados (passivo), bem como os direitos de uso dos ativos arrendados para todos os contratos de arrendamento mercantil. Com exceção dos casos de arrendamentos de curto prazo (inferior a 12 meses) ou de arrendamentos de baixo valor.

A norma anterior, vigente até o dia 31 de dezembro de 2018, permite a segregação entre arrendamento financeiro e operacional. No entanto, a partir do início da vigência da nova revisão, haverá um modelo único, sem testes de classificação para o arrendatário.  Essa mudança obrigará as empresas a reconhecer ativos e passivos no início dos contratos de arrendamento, independente do caráter do contrato. E com isso, gerando potenciais impactos relevantes em seu balanço patrimonial.

 

Anteriormente, devido aos dois tipos de classificação, no caso do arrendamento financeiro, a empresa deveria reconhecer o contrato no balanço patrimonial do arrendatário. Por consequência, os demais efeitos como, por exemplo, a depreciação e encargos também eram reconhecidos. Já no caso do arrendamento operacional, na norma antiga havia o reconhecimento do valor do leasing como um aluguel. Porém, com a mudança da norma, todos os arrendamentos serão reconhecidos dentro do Balanço Patrimonial do arrendatário.

O que acontece após o reconhecimento da norma

Os ativos deverão ser depreciados da mesma forma que os ativos imobilizados e testados anualmente para fins de verificação de perdas no valor recuperável (Impairment). Os passivos, por sua vez, deverão ser remensurados em cada data de balanço para refletir a taxa efetiva de juros e os valores atualizados conforme indexação do contrato.

As alterações impactarão também os indicadores financeiros, podendo afetar inclusive cláusulas restritivas (covenants) de contratos de financiamento. O resultado financeiro das arrendatárias também será impactado com a nova regra, uma vez que deverão ser reconhecidas as despesas de depreciação do ativo arrendado, bem como os efeitos no resultado financeiro sobre os passivos do arrendamento. Consequentemente, afetando de forma considerável medidas contábeis e indicadores costumeiramente utilizados como o EBITDA, uma vez que as despesas de aluguel anteriormente incluídas neste indicador serão substituídas pela depreciação e por despesas financeiras que não o compõem.

São esperados também impactos no fluxo de caixa das empresas dado que o pagamento do principal do arrendamento deverá ser classificado como atividade de financiamento e o pagamento de juros poderão ser apresentados como atividade operacional ou de financiamento, de acordo com a política contábil do arrendatário.

CPC 06 (R2)
Quadro comparativo explicitando as principais diferenças entre a norma antiga e a nova.

 

Passo a passo para uma transição tranquila

Para que as empresas se adaptem à nova norma, alguns passos devem ser seguidos visando uma transição sem maiores problemas:

lista representando mudanças do CPC 06 (R2)

1- Realizar levantamento de todos os contratos de arrendamento, aluguel, leasing e outros que podem se enquadrar na norma;

2- Compilar informações destes contratos visando facilitar a análise;

3- Avaliar, a partir das informações levantadas, os contratos que se enquadram no escopo da norma;

4- Verificar e calcular os efeitos contábeis dos contratos existentes e de novos contratos com os mesmos termos;

5- Comunicar os potenciais impactos aos responsáveis pela administração e governança corporativa, visando evitar efeitos indesejados já que ainda há tempo para renegociar e alterar contratos vigentes;

6- Divulgar os impactos, ao menos qualitativamente, aos usuários das informações contábeis para que os mesmos não sejam surpreendidos quando do início da vigência da nova norma.

 

Como mostramos ao longo do texto, a revisão do Pronunciamento Técnico CPC 06 (R2) – Operações de Arrendamento Mercantil trouxe significativas mudanças para as empresas arrendatárias. Dessa forma, é importante que a sua empresa esteja sempre de olho em mudanças, que possam vir a ocorrer, nas normas contábeis.

A Investor realiza laudos de avaliação dos impactos da nova revisão e seus efeitos no balanço patrimonial da sua empresa. Ficou com alguma dúvida? Entre em contato conosco, ou solicite um orçamento para um laudo de avaliação para sua empresa!

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6 Comentários

  • Edmilson Freitas Responder

    3 de julho de 2019 at 19:20.

    Esta mudança pelo que as auditorias estão indicando irá gerar mais despesas para as empresas no inicio do registro do contrato, em um exemplo: Um arrendamento que gerava despesas de aluguel de R$ 320.000,00 mês, adotando o CPC irá gerar despesas de juros de R$ 262.207,00 mais despesas de depreciação de R$ 152.446,00 ou seja despesas mensais de R$ 414.653,00 no inicio do contrato diminuindo ao longo do contrato. Neste exemplo um contrato de arrendamento de 180 parcelas de 320.000,00 com taxa de desconto de 1% a.m.

    • Partners Responder

      18 de julho de 2019 at 23:04.

      Ei Edmilson, tudo bem? O entendimento está correto, realmente o CPC 06 (R2) fará com que, no início dos contratos, a empresa incorra em mais despesas lançadas na DRE do que na norma vigente até dez/2018. Por isso que a análise da melhor opção de transição é tão importante! Na opção da retrospectiva completa, a empresa que possui contratos de arrendamento com um longo período já transcorrido, pode beneficiar do efeito contrário ao levantado por você, apurando na DRE menos despesas do que seria apurado na norma anterior.
      Não sei se você arredondou algum número no exemplo passado, mas os meus números não coincidiram com os seus. Uma despesa de aluguel de R$ 320mil/mês em um contrato de 180 meses a ser executado, trazidos a valor presente por uma taxa de 1% ao mês, resulta em uma Obrigação com Arrendamentos no valor de R$ 26.662.932,48, correspondendo a uma depreciação de R$ 148.127,40 e juros de 1%a.m sobre o saldo do passivo de arrendamento. Espero tê-lo ajudado. Até logo!

  • NALADAR LUIZ DOS SANTOS Responder

    9 de janeiro de 2020 at 16:19.

    Pessoal, lendo este exemplo só agora, gostaria de passar o meu entendimento….se tenho um arrendamento mercantil (Aluguel) de R$ 320 mil por mês em 180 meses, então tenho um Passivo Total (entre CP e LP) de R$ 57.600.000,00….então, no Passivo terei um valor a pagar deste montante….a contra partida seria um Ativo Perm pelo VPL de R$ 26.662.932,48 e um redutor do Passivo CP/LP – Juros a Amortizar – R$ 30.937.067,52….Na parcela #1 o valor da Amortização é menor e na parcela #180 é muito maior, sendo que a Amortização dos Juros muito maior na Parcela #1 e muito menor na parcela #180, de maneira que o total mensal nunca passe de R$ 320 mil que o efeito caixa….a grande diferença causada pelo CPC6 é só no EBITDA da empresa….

    • Investor Responder

      16 de janeiro de 2020 at 18:04.

      Olá! O CPC 06 (R2), tem uma forma peculiar de contabilizar a operação. Diferentemente do exposto por você, o Valor Presente das parcelas compõe inicialmente o Passivo de Arrendamento (item 26 do CPC 06 – R2), sendo este valor, a base para formar o ativo Direito de Uso (item 24 do CPC 06 – R2). Logo, considerando não haver necessidade de ajustes para a formação do Direito de Uso, teríamos inicialmente neste exemplo o valor de R$ 26.662.932,48 lançados nas rubricas Obrigação de Arrendamento e Direito de Uso.

      Da 1ª parcela em diante a conta seria a seguinte: O Direito de Uso será depreciado mensalmente ao valor de R$ 148.127,40 ( = R$ 26.662.932,48 / 180 ), a Obrigação de Arrendamento será ajustado mensalmente através da subtração do valor mensal do aluguel pela despesa com juros apurada no mesmo mês ( mês 1 = 320.000,00 – R$ 266.629,32), sendo assim o Saldo final da rubrica Obrigação de Arrendamento no 1º mês de contrato será R$ 26.609.561,80. Ao gerar a planilha, você irá perceber que o reflexo do CPC 06 (R2) no DRE do 1º mês, será de R$ 94.756,73 de despesas a mais que o valor mensal do aluguel. Porém, ao longo do contrato, esta posição se inverte.

      Qualquer outra dúvida, estamos à disposição.

  • LUCIANA VETRANO Responder

    27 de abril de 2020 at 14:34.

    Um contrato de caminhão para transporte de mercadorias fornece ao cliente o uso de 40 caminhões de um determinado tipo por 3 anos. O contrato especifica os caminhões que são de propriedade do fornecedor. O cliente determina quando, onde e quais mercadoria que serão transportadas usando os caminhões. Quando os caminhões não estão em uso, eles são mantidos nas instalações do cliente. O cliente pode usar os caminhões para outra finalidade (por exemplo transporte de areia, cimento, tijolos para obra de expansão da fábrica, do cliente) se assim o decidir. No entanto o contrato especifica que o cliente não pode transportar determinados tipos de carga (por exemplo, produtos químicos). Se um caminhão precisa ser consertado ou receber manutenção, o fornecedor é obrigado a substituir o caminhão por outro do mesmo tipo. Caso contrário, a não ser por descumprimento por parte do cliente, o fornecedor não pode recuperar os caminhões durante o período de 3 anos.”

    Segundo o CPC 06 (R3), o mesmo pode ser considerado arrendamento mercantil?

    tenho dúvidas

    • Investor Responder

      15 de maio de 2020 at 13:36.

      Olá Luciana, para responder a sua pergunta, precisamos entender um pouco mais deste contrato. O fornecedor pode substituir os caminhões a qualquer momento do contrato (obs: não se trata da obrigação de substituir, mas da possibilidade do fornecedor realizar a substituição a qualquer momento que ele pretender)? Ele conseguiria se beneficiar economicamente desta substituição (ex: trocar um dos caminhões por outro semelhante para antecipar a venda do caminhão que estava em uso e assim conseguir um valor residual superior à venda pós 3 anos de uso)? Se sim (ambas as respostas), não é um ativo identificável e por tanto não seria considerado um arrendamento mercantil conforme CPC 06 (R2). Todos os demais aspectos citados, levam a crer que se trata de um Contrato de Arrendamento nos moldes do CPC 06 (R2), porém, o ponto levantado acima, é crucial para determinar se estamos falando de um Direito de Uso de um ativo identificável.

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